Governo Lula injeta R$ 140 bilhões em estímulos à economia e amplia pressão sobre inflação

Levantamento do BTG Pactual aponta pacote de medidas com crédito facilitado, ampliação de programas sociais e isenção do Imposto de Renda em meio ao cenário de juros altos no Brasil

Em meio às críticas sobre o elevado patamar da taxa de juros no País, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva já colocou em prática um conjunto de medidas econômicas que pode injetar cerca de R$ 140 bilhões na economia brasileira entre 2025 e 2026. O cálculo é do banco BTG Pactual e considera programas de crédito, incentivos fiscais e ampliação de benefícios sociais que devem estimular o consumo e o crescimento econômico, mas também aumentar a pressão sobre a inflação.

Segundo o levantamento, dez medidas já estão em vigor ou em fase de implementação. Entre elas estão a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil por mês, mudanças nas regras do crédito consignado privado, expansão do Minha Casa, Minha Vida e programas voltados para redução dos custos de energia elétrica e gás de cozinha para famílias de baixa renda.

De acordo com o economista Fábio Serrano, do BTG Pactual, o cálculo leva em consideração o impacto líquido das ações sobre a economia, principalmente por meio de medidas chamadas “parafiscais”, que não têm impacto direto no Orçamento da União.

“Os R$ 140 bilhões são o que a gente calcula a mais de estímulo entre 2025 e 2026, sem que haja impacto primário sobre as contas públicas”, explicou o economista.

O maior impacto estimado vem da ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda, considerada uma das principais promessas econômicas do governo. Segundo o BTG, a medida deve injetar aproximadamente R$ 31 bilhões na economia. O custo foi compensado pela tributação sobre rendas superiores a R$ 50 mil mensais.

Outra frente de estímulo é o crédito. O governo anunciou, no fim de abril, a ampliação do programa Move Brasil, com R$ 21,2 bilhões destinados ao financiamento da compra de caminhões, ônibus, micro-ônibus e implementos rodoviários. As linhas terão juros reduzidos e prazo de pagamento de até dez anos, com operação do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

O levantamento também aponta impacto relevante das mudanças nas regras do consignado privado, que podem movimentar R$ 24 bilhões, além do novo modelo de crédito imobiliário, estimado em R$ 22,3 bilhões. Já os programas Reforma Casa Brasil e Minha Casa, Minha Vida devem adicionar outros R$ 19 bilhões em estímulos econômicos.

Na área de renegociação de dívidas, a nova etapa do programa Desenrola, somada à possibilidade de uso do FGTS para abatimento de débitos, pode liberar cerca de R$ 16,1 bilhões para consumo das famílias.

Para economistas, as medidas devem acelerar a atividade econômica, mas também dificultar o controle da inflação, especialmente no setor de serviços. O BTG revisou a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) deste ano de 1,7% para 1,9%, mas também elevou a estimativa da inflação de 4,7% para 4,9%. Segundo Serrano, além dos efeitos da guerra no Irã sobre os preços internacionais, os estímulos internos também contribuem para o aumento das pressões inflacionárias.

“Há também uma concentração de estímulos na economia neste primeiro semestre. O PIB, depois de ter ficado estagnado no final de 2025, agora deve voltar a acelerar”, afirmou.

O economista Luis Otávio Leal, da G5 Partners, avalia que programas voltados à renegociação de dívidas e expansão do crédito podem aumentar o consumo das famílias e dificultar a atuação do Banco Central na redução dos juros.

No setor de energia, o governo também lançou programas voltados para famílias de baixa renda. O Luz do Povo prevê gratuidade na conta de energia para inscritos no CadÚnico com baixo consumo, enquanto o Gás do Povo deve oferecer recarga gratuita do botijão de gás para famílias com renda per capita de até um salário mínimo.

Apesar do pacote de estímulos, o mercado financeiro ainda projeta déficit primário de R$ 50 bilhões para este ano, acima da meta prevista na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), fixada em R$ 34 bilhões. Ainda assim, a equipe econômica avalia que a meta poderá ser cumprida com a exclusão de despesas autorizadas por lei, como os gastos com precatórios.

Nas próximas semanas, o governo federal ainda deve anunciar uma nova ampliação do programa Desenrola, incluindo trabalhadores informais e pessoas adimplentes, mas com elevado nível de endividamento.

Com Informações do Estadão

Por João Paulo Oliveira, da redação da Jovem Pan News Manaus