Só 8% dos brasileiros fazem cursos técnicos, e debate no Senado aponta impacto direto na economia e no emprego

Especialistas, representantes do Sistema S e parlamentares defenderam ampliação do ensino técnico como estratégia para aumentar produtividade, reduzir desigualdades e qualificar mão de obra

Representantes do setor educacional, parlamentares e integrantes do Sistema S defenderam nesta segunda-feira, 11, a ampliação da educação profissional e tecnológica como ferramenta estratégica para impulsionar o desenvolvimento econômico e social do Brasil. O debate ocorreu durante audiência pública promovida pela Frente Parlamentar em Favor da Educação Profissional e Tecnológica, no Senado Federal. O encontro foi presidido pelo senador Marcos Pontes e marcou o início de uma série de discussões sobre o fortalecimento do ensino técnico no País.

Durante a audiência, especialistas destacaram que a educação profissional pode contribuir diretamente para aumento da produtividade, geração de empregos e redução da criminalidade, além de preparar trabalhadores para novas demandas do mercado.

Segundo o senador, países que alcançaram alto nível de desenvolvimento econômico mantiveram investimentos contínuos em educação voltada para resultados, ciência, tecnologia e inovação.

“O que os países desenvolvidos têm em comum é investimento consistente em educação focada em resultados”, afirmou.

Dados apresentados durante o debate mostram que apenas 8% dos estudantes brasileiros estão matriculados em cursos profissionalizantes, enquanto a média dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) chega a 32%.

Representando o Serviço Social do Transporte e Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte (Sest-Senat), Roberta Diniz afirmou que o baixo número de matrículas no Brasil representa um desafio para o crescimento econômico e para a competitividade nacional. Segundo ela, países que conseguem integrar educação técnica e setor produtivo apresentam melhores índices de produtividade, inovação e desenvolvimento sustentável.

O professor Augusto Lins de Albuquerque Neto citou modelos internacionais considerados referência em educação profissional, como Alemanha, Japão, Singapura e Coreia do Sul. Para ele, o Brasil precisa utilizar experiências internacionais como base para formulação de políticas públicas voltadas ao setor.

O debate também abordou a necessidade de aproximar o ensino técnico das demandas do mercado de trabalho. Representantes do Senac, Senai e Senar defenderam ampliação da oferta de cursos e fortalecimento da formação prática para enfrentar o chamado “apagão de mão de obra qualificada”.  Para o representante do Senac, Antônio Henrique Borges Paula, a educação profissional reúne dois direitos fundamentais previstos na Constituição: educação e trabalho.

Já representantes da indústria e do setor rural destacaram que o ensino técnico é uma alternativa importante para inserção profissional e transformação social, sem depender exclusivamente do ensino superior tradicional.

Os participantes também ressaltaram o fortalecimento do arcabouço legal da educação profissional, principalmente após mudanças recentes na legislação e no novo Plano Nacional de Educação (PNE), que ampliou metas específicas para o setor.

Segundo representantes do Senai, o segmento vive um momento de crescimento e amadurecimento institucional, impulsionado pelas novas diretrizes educacionais aprovadas pelo Congresso Nacional.

Com Informações da Agência Senado

Por João Paulo Oliveira, da redação da Jovem Pan News Manaus