Israel quer zerar ajuda militar de US$ 3,8 bilhões dos EUA após décadas de parceria

Governo israelense afirma que pretende reduzir dependência militar americana nos próximos dez anos em meio à tensão no Oriente Médio e queda do apoio internacional

O governo de Israel afirmou que pretende encerrar gradualmente a dependência militar em relação aos Estados Unidos, que atualmente destinam cerca de US$ 3,8 bilhões por ano em ajuda ao país do Oriente Médio. A declaração foi feita pelo primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, durante entrevista ao programa “60 Minutes”, da emissora americana CBS, exibida nesse domingo, 10.

Segundo Netanyahu, a intenção é reduzir a zero o apoio financeiro militar recebido dos norte-americanos ao longo dos próximos dez anos.

“Recebemos US$ 3,8 bilhões por ano, e acho que é hora de nos desvencilharmos do apoio militar restante. Eu disse: ‘Vamos começar agora e fazer isso ao longo da próxima década’”, afirmou.

A parceria entre Estados Unidos e Israel é considerada uma das alianças estratégicas mais importantes do Oriente Médio e envolve cooperação militar, inteligência e financiamento para aquisição de equipamentos de defesa.

Durante a entrevista, Netanyahu também comentou a queda do apoio popular a Israel dentro dos Estados Unidos. Pesquisa divulgada pelo instituto Pew Research Center mostrou que 60% dos americanos têm visão desfavorável sobre Israel, enquanto 59% afirmam não confiar nas decisões internacionais do primeiro-ministro israelense.

Segundo ele, o crescimento das redes sociais teve impacto direto nesse cenário.

“Temos vários países que basicamente manipularam as redes sociais. E fazem isso de forma inteligente. E isso é algo que nos prejudicou muito”, declarou.

O premiê afirmou ainda que Israel enfrenta uma “guerra de propaganda” no cenário internacional, principalmente após a intensificação dos conflitos no Oriente Médio. A entrevista também abordou a situação envolvendo Irã e Hezbollah. Netanyahu afirmou que o conflito ainda não terminou e defendeu a retirada do estoque de urânio enriquecido do Irã.

“Ainda há trabalho a ser feito, porque ainda há material nuclear e urânio enriquecido que precisa ser retirado do Irã”, disse.

Segundo o líder israelense, um eventual cessar-fogo envolvendo o Irã deve ser tratado separadamente da trégua entre Israel e Hezbollah, no sul do Líbano. Netanyahu também afirmou que a China teria fornecido apoio e componentes para fabricação de mísseis ao Irã durante o conflito. O governo chinês nega participação no rearmamento iraniano.

As declarações acontecem em meio ao aumento da pressão internacional sobre Israel após os recentes confrontos militares na Faixa de Gaza, no Líbano e em áreas ligadas à influência iraniana no Oriente Médio.

Com Informações da CNN e Estadão

Por João Paulo Oliveira, da redação da Jovem Pan News Manaus