Vai voltar para o Brasil? Justiça da Itália barra extradição e manda soltar Carla Zambelli

Suprema Corte italiana anulou decisão favorável ao STF; ex-deputada estava presa desde julho de 2025 nos arredores de Roma

A Justiça da Itália decidiu nesta sexta-feira, 22, negar o pedido de extradição da ex-deputada Carla Zambelli ao Brasil e determinou a soltura da parlamentar licenciada.

A decisão foi tomada pela Suprema Corte de Cassação, considerada a instância mais alta do Judiciário italiano para análise de recursos. A informação foi confirmada pelo advogado de Zambelli na Itália, Alessandro Sammarco.

Segundo a defesa, o tribunal anulou a decisão anterior da Corte de Apelações italiana, que havia autorizado a extradição da ex-deputada a pedido do Supremo Tribunal Federal (STF).

Até a última atualização do caso, a Suprema Corte ainda não havia divulgado oficialmente o acórdão da decisão. Mesmo com o julgamento nas vias judiciais, o processo ainda deverá passar pela análise do ministro da Justiça da Itália.

Carla Zambelli está presa desde 29 de julho de 2025 em um presídio feminino nos arredores de Roma. Ela foi condenada pelo STF a 10 anos de prisão por invasão aos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e deixou o Brasil após a decisão.

Defesa apostou na cidadania italiana

A cidadania italiana foi um dos principais argumentos usados pela defesa para tentar impedir a extradição. Em decisão anterior, divulgada em março, a Justiça italiana havia afirmado que a dupla nacionalidade da ex-deputada não impediria automaticamente a extradição.

Na ocasião, o tribunal destacou que Zambelli construiu toda a trajetória política e profissional no Brasil e classificou a cidadania italiana como um vínculo “meramente formal”. O entendimento também apontava que o tratado bilateral firmado entre Brasil e Itália permite extradições entre os dois países desde 1993.

Advogado deixou defesa no Brasil

O caso ganhou um novo capítulo nesta sexta-feira após o advogado José Luís de Oliveira Lima, conhecido como Juca, anunciar sua saída da defesa da ex-deputada no Brasil. Nos bastidores, a saída foi associada a divergências sobre a condução da estratégia jurídica e do processo envolvendo as investigações.

Presídio enfrentava superlotação

Zambelli estava detida em uma penitenciária feminina localizada no bairro de Rebibbia, em Roma.

Segundo informações do Ministério da Justiça italiano, a unidade enfrenta superlotação e opera acima da capacidade. O presídio possui espaço para 272 mulheres, mas atualmente abriga mais de 370 detentas.

O local é dividido em oito alas e recebe mulheres em regimes de segurança média e alta.

Com Informações do G1

Por João Paulo Oliveira, da redação da Jovem Pan News Manaus