A Copa do Mundo de 2002 marcou a conquista do pentacampeonato da Seleção Brasileira, mas também ficou registrada por um cenário bem diferente no setor automotivo.
Naquele período, o país ainda não tinha smartphones, redes sociais populares ou aplicativos. Nas ruas, os carros tinham menos tecnologia embarcada e o perfil de consumo era outro.
O mercado era dominado por modelos compactos, motores simples e veículos voltados principalmente para economia.
Carro zero-quilômetro custava cerca de R$ 13 mil
Em julho de 2002, o carro novo mais barato vendido no Brasil era o Fiat Uno Mille três portas a álcool, comercializado por R$ 13.577.
O modelo tinha motor 1.0 aspirado de quatro cilindros, com 61 cavalos de potência, e vinha com poucos equipamentos de série.
Itens que hoje são comuns, como vidros elétricos, travas elétricas e ar-condicionado, eram opcionais.
Na época, o ar-condicionado no Uno Mille custava R$ 2.407, valor que representava uma parcela significativa do preço do veículo.
Gasolina custava menos de R$ 2
Os preços dos combustíveis também chamam atenção quando comparados aos valores atuais.
Em 2002:
- Gasolina: cerca de R$ 1,77 por litro;
- Álcool (como o etanol era chamado na época): cerca de R$ 0,94;
- Diesel: aproximadamente R$ 1,07.
A mudança oficial do nome de álcool para etanol aconteceu anos depois, com padronização adotada pela Agência Nacional do Petróleo (ANP).
Gol era o líder de vendas no Brasil
O Volkswagen Gol era o carro mais vendido do país no ano do pentacampeonato.
O hatch encerrou 2002 com cerca de 208 mil unidades comercializadas, mantendo uma liderança que durou décadas no mercado nacional.
Naquele período, a Volkswagen lançou o Gol Sport, uma versão especial com visual inspirado no clima da Copa, já que a marca não possuía autorização para usar o nome oficial da competição.
Carros flex ainda não existiam
Em 2002, os brasileiros ainda não tinham carros flex disponíveis nas concessionárias.
O primeiro modelo com tecnologia bicombustível foi o Volkswagen Gol, lançado em 2003, permitindo o uso de gasolina e etanol no mesmo veículo.
SUVs eram raridade no Brasil
O cenário atual, dominado por SUVs, era inimaginável naquele período.
Em 2002, esse segmento ainda tinha pouca participação no mercado. A transformação começou com a chegada do Ford EcoSport, apresentado naquele ano e lançado em 2003.
O modelo abriu espaço para SUVs compactos derivados de carros populares, formato que se tornou comum nos anos seguintes.
Marcas e modelos que mudaram
O mercado de 2002 também tinha veículos que hoje são considerados raridades.
Era possível encontrar modelos como:
- Volkswagen Santana;
- Volkswagen Parati Turbo;
- Volkswagen Kombi;
- Alfa Romeo 166;
- Chevrolet Tracker, que tinha relação com o Suzuki Vitara.
As marcas chinesas ainda não tinham presença relevante no Brasil, cenário que mudou completamente nas últimas décadas.
Mercado automotivo cresceu
Em 2002, o Brasil registrou cerca de 1,4 milhão de automóveis vendidos. O volume aumentou ao longo dos anos, acompanhado pelo crescimento da frota nacional e pela chegada de novas tecnologias.
Mais de duas décadas depois do penta, o mercado tem carros conectados, eletrificados, SUVs em alta e uma variedade muito maior de modelos.
Por Erike Ortteip, da redação da Jovem Pan News Manaus.






