Brasil tem 213 barragens em situação crítica, aponta relatório da ANA

Levantamento identifica estruturas com risco de acidentes em 19 estados e no Distrito Federal; fiscalização enfrenta déficit de profissionais
Foto: Antonio Cruz/ Agência Brasil

O Brasil possui 213 barragens classificadas como prioritárias para gestão de segurança, com risco de acidentes que podem atingir pessoas ou estruturas como estradas e pontes. Os dados estão no Relatório de Segurança de Barragens 2026 (RSB 2026), divulgado pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA).

O levantamento acompanha mais de 14 mil barragens existentes no país e reúne informações de estruturas utilizadas em diferentes atividades, como mineração, abastecimento de água, agricultura, controle de vazão e geração de energia.

Segundo o relatório, em 2025 foram registrados 18 acidentes e 23 incidentes com barragens no Brasil. Não houve mortes, mas ocorreram evacuações de áreas urbanizadas e danos em vias, estradas e pontes. Os acidentes são considerados situações em que houve colapso da estrutura, enquanto os incidentes envolvem problemas que podem levar a rompimentos.

Barragens prioritárias estão em 19 estados

As estruturas consideradas prioritárias pela ANA apresentam problemas de conservação ou não tiveram todos os requisitos de segurança cumpridos pelos responsáveis, conforme determina a Política Nacional de Segurança de Barragens (PNSB).

Essas barragens estão distribuídas em 19 estados e no Distrito Federal, com concentração de casos no Ceará, Mato Grosso e São Paulo.

A atividade de mineração reúne o maior número de estruturas nessa condição, com 55 barragens (26%). Em seguida aparecem barragens destinadas ao abastecimento de água, com 51 estruturas (24%); irrigação, com 29 (14%); regularização de vazão, com 20 (9%); paisagismo, com 17 (8%); dessedentação de animais, com 16 (8%); e outros usos, com 25 (12%).

Quase metade das barragens cadastradas tem situação indefinida

O relatório aponta avanço no cadastro de barragens no Sistema Nacional de Informações sobre Segurança de Barragens (SNISB). O número passou de 28.085 estruturas em 2024 para 29.761 em 2025.

Apesar do crescimento, 14.355 barragens, equivalente a 48% do total cadastrado, estão com situação indefinida. Segundo a ANA, isso ocorre quando o órgão responsável pelo cadastro não informou dados necessários para definir se a estrutura se enquadra ou não na Política Nacional de Segurança de Barragens.

A legislação considera dentro da PNSB as barragens com capacidade superior a 3 milhões de metros cúbicos, aquelas que armazenam resíduos perigosos, possuem dano potencial associado médio ou alto ou apresentam altura superior a 15 metros.

Do total cadastrado, 52% das estruturas têm classificação definida. Entre elas, 8.797 barragens (30%) apresentam condições adequadas, enquanto 6.609 (22%) possuem dano potencial associado médio ou alto ou categoria de risco elevada.

Fiscalização registra déficit de profissionais

O relatório também aponta redução no número de profissionais que atuam na fiscalização de barragens. Atualmente, os 33 órgãos fiscalizadores do país contam com 333 profissionais envolvidos nessa área.

Do total, 161 servidores trabalham exclusivamente com segurança de barragens, enquanto 172 dividem a função com outras atividades. Em comparação com 2025, houve redução de 23 profissionais.

A ANA estima que 28 dos 33 órgãos fiscalizadores têm um déficit de pelo menos 221 profissionais dedicados exclusivamente à atividade.

Mesmo com a redução no quadro, o número de fiscalizações aumentou entre 2024 e 2025. As inspeções em campo passaram de 2.859 para 2.924, alta de 2%. Já as fiscalizações por análise documental cresceram de 3.162 para 4.712, aumento de 49%.

Relatório é enviado ao Congresso Nacional

O Relatório de Segurança de Barragens é produzido anualmente pela ANA com base em informações enviadas pelos órgãos responsáveis pela fiscalização no país.

O documento é encaminhado ao Conselho Nacional de Recursos Hídricos (CNRH) e ao Congresso Nacional. Os dados completos estão disponíveis no Sistema Nacional de Informações sobre Segurança de Barragens.

 

Com informações da Agência Brasil*

Por Haliandro Furtado, da redação da Jovem Pan News Manaus