Senado debate fim das “saidinhas” de presos e proposta abre discussão sobre segurança e ressocialização

Projeto aprovado pela Câmara restringia benefício da saída temporária; tema avançou no Congresso e resultou em mudanças na Lei de Execução Penal

O Senado Federal analisou o projeto que previa o fim das chamadas “saidinhas” de presos, benefício de saída temporária concedido a detentos do regime semiaberto. A proposta, que já havia sido aprovada pela Câmara dos Deputados, gerou debates entre parlamentares, especialistas e representantes do sistema penitenciário sobre os impactos da medida na segurança pública e no processo de ressocialização.

O texto em discussão era o Projeto de Lei 2.253/2022, que propunha alterações na Lei de Execução Penal (Lei 7.210/1984). A proposta previa a extinção das saídas temporárias em feriados e datas comemorativas e estabelecia novas regras para o acompanhamento de presos, incluindo medidas como monitoramento eletrônico e critérios mais rigorosos para progressão de regime.

Debate envolve segurança pública e reintegração social

A discussão no Congresso dividiu opiniões. Parlamentares favoráveis ao fim do benefício argumentaram que casos de presos que não retornam ao sistema prisional ou que cometem crimes durante o período de saída representam riscos à sociedade.
Já especialistas e entidades ligadas à área penal defenderam que a saída temporária é um instrumento de ressocialização, permitindo a manutenção de vínculos familiares e atividades educacionais, e alertaram que a avaliação da medida deve considerar dados técnicos sobre o sistema prisional.
Durante os debates no Senado, representantes de órgãos ligados à execução penal defenderam uma análise mais ampla do tema, com participação do Ministério Público, Judiciário, Defensoria Pública e demais instituições envolvidas no sistema de Justiça.

Projeto foi aprovado e transformado em lei com alterações

Após a tramitação no Congresso Nacional, o Senado aprovou o projeto em fevereiro de 2024. O texto aprovado restringiu as saídas temporárias, mantendo a possibilidade para presos que estudam, mas eliminando a liberação em datas comemorativas, como feriados e períodos tradicionalmente conhecidos como “saidões”.
A proposta foi posteriormente sancionada e deu origem à Lei 14.843/2024, que alterou a Lei de Execução Penal. A legislação restringiu o benefício das saídas temporárias e manteve algumas possibilidades, como atividades educacionais e, após veto presidencial, a visita a familiares em determinadas situações.

Impactos para o sistema prisional brasileiro

A mudança na legislação passou a integrar o debate nacional sobre segurança pública, administração penitenciária e políticas de reintegração social.
Para defensores da restrição, a medida representa um reforço no controle sobre presos condenados. Para críticos, o desafio permanece em equilibrar segurança e mecanismos que reduzam a reincidência criminal por meio da educação, trabalho e manutenção de vínculos sociais.

 

Com informações da Agência Senado*

Por Leidy Amaral, da redação da Jovem Pan News Manaus