Amazonas registra nove feminicídios até maio; maioria das vítimas tinha mais de 35 anos

Dados da SSP-AM mostram que quatro dos nove casos registrados em 2026 foram cometidos com arma branca. Especialistas apontam que esse tipo de arma é comum em crimes ocorridos no ambiente doméstico.

O Amazonas registrou nove casos de feminicídio entre janeiro e maio de 2026, segundo dados da Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM). Desse total, cerca de 78% das vítimas tinham mais de 35 anos e, em quatro ocorrências, o crime foi cometido com o uso de arma branca, como facas.

Os registros são baseados em boletins de ocorrência da Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) e em laudos do Instituto Médico Legal (IML).

Arma branca foi utilizada em quase metade dos casos

Entre os nove feminicídios contabilizados no período:

  • quatro foram cometidos com arma branca;
  • dois ocorreram por meio de agressões físicas;
  • em dois casos, o instrumento utilizado não foi identificado;
  • um caso foi registrado por outro meio.

Segundo especialistas, a utilização de facas e outros objetos cortantes é frequente em crimes ocorridos dentro do ambiente doméstico, onde esse tipo de instrumento costuma estar disponível.

Casos ocorreram em seis municípios

As ocorrências foram registradas nos seguintes municípios:

  • Manaus (4);
  • Barcelos (1);
  • Carauari (1);
  • Coari (1);
  • Manaquiri (1);
  • São Gabriel da Cachoeira (1).

Um dos casos aconteceu no dia 8 de março, quando Roseane Nicolau Canuto, de 39 anos, foi morta a facadas. O marido da vítima foi preso e confessou o crime à polícia.

Feminicídio passou a ser tipificado em 2015

O feminicídio é o homicídio cometido contra a mulher em razão da condição de gênero. O crime passou a integrar o Código Penal em 2015, com a criação da Lei nº 13.104, que estabeleceu qualificadora específica para esse tipo de homicídio.

Desde então, os casos passaram a ser registrados separadamente nas estatísticas oficiais.

Especialistas alertam para subnotificação

Especialistas ouvidas pela reportagem afirmam que o número de casos pode ser maior do que o registrado oficialmente, principalmente nas tentativas de feminicídio.

Segundo elas, fatores como dependência financeira do agressor, dificuldades para denunciar, violência ocorrida dentro do ambiente familiar e ausência de alternativas de proteção podem contribuir para a subnotificação.

Também destacam que a utilização de armas brancas está relacionada à facilidade de acesso a esses objetos dentro das residências.

SSP destaca ações da rede de proteção

Em nota, a SSP-AM informou que o enfrentamento à violência contra a mulher ocorre de forma integrada entre a Polícia Militar do Amazonas (PMAM), por meio da Ronda Maria da Penha, a Polícia Civil, o Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM), o Departamento de Polícia Técnico-Científica (DPTC) e outros órgãos da rede de proteção.

De acordo com a secretaria, nenhuma mulher acompanhada pela Ronda Maria da Penha foi vítima de feminicídio.

A pasta informou ainda que, embora o estado tenha registrado aumento em relação ao mesmo período de 2025, quando houve seis casos, o total permanece abaixo dos maiores números da série histórica. A projeção da SSP-AM é encerrar 2026 com 20 feminicídios, mesma quantidade registrada em 2025.

Por Erike Ortteip, da redação da Jovem Pan News Manaus.