Manaus registra 414 atendimentos após vazamento de estireno no Distrito Industrial

Prefeitura mantém gabinete de crise, monitoramento da qualidade do ar e recomendações para moradores da região

 

A exposição ao gás estireno após o vazamento registrado em uma fábrica localizada no Distrito Industrial de Manaus já resultou em 414 atendimentos médicos, segundo balanço divulgado pela Prefeitura de Manaus. Os dados, atualizados pela Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) até as 15h desta sexta-feira (18), incluem atendimentos realizados nas redes pública estadual, municipal e privada.

A maior parte dos pacientes apresentou sintomas considerados leves, recebeu atendimento médico e foi liberada após avaliação. No entanto, duas pessoas permanecem internadas, sendo uma delas em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

Além disso, um óbito registrado no período está sendo investigado pelo Centro de Informações Estratégicas e Respostas em Vigilância em Saúde (Cievs), que apura se existe relação entre a morte e a exposição ao estireno. Até o momento, as autoridades de saúde informam que essa ligação ainda não foi confirmada.

Distribuição dos atendimentos

Conforme o levantamento da Semsa, os 414 atendimentos estão distribuídos da seguinte forma:

* 157 atendimentos em prontos-socorros e unidades de pronto atendimento da rede estadual;
* 200 atendimentos em hospitais da rede particular;
* 57 atendimentos em unidades municipais de saúde.

De acordo com o secretário municipal de Saúde, Nagib Salem, toda a rede de assistência permanece mobilizada para receber novos pacientes e encaminhar os casos mais graves às unidades de emergência.

Sintomas mais comuns

Segundo a Semsa, pessoas expostas ao estireno podem apresentar sintomas imediatamente ou horas após o contato com o produto químico.

Os principais sinais de alerta são:

* Ardência e vermelhidão nos olhos;
* Irritação no nariz e na garganta;
* Tosse;
* Falta de ar;
* Chiado no peito;
* Dor de cabeça;
* Tontura;
* Náuseas e vômitos;
* Fraqueza;
* Dor no peito;
* Desmaio.

A orientação é que pessoas com sintomas leves procurem a unidade de saúde mais próxima e informem a possível exposição ao produto químico. Já em situações de falta de ar intensa, perda de consciência, dor no peito ou agravamento rápido dos sintomas, a recomendação é acionar imediatamente o Samu pelo telefone 192.

Gabinete de crise acompanha a ocorrência

A Secretaria Municipal de Saúde integra o Gabinete de Crise criado pela Prefeitura de Manaus para acompanhar os impactos do vazamento.

O monitoramento é realizado pela Diretoria de Vigilância Ambiental, Epidemiológica, Zoonoses e Saúde do Trabalhador (Dvae), responsável por acompanhar a evolução dos casos e orientar as medidas adotadas conforme os protocolos de vigilância em saúde.

O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) também permanece em prontidão. Desde o início da ocorrência, sete pacientes foram removidos pelas equipes de emergência.

Ministério da Saúde acompanha o caso

A Prefeitura informou que mantém contato permanente com o Ministério da Saúde, que acompanha a situação por meio de reuniões técnicas.

Durante os encontros, a Semsa apresenta os dados epidemiológicos, as medidas adotadas para reduzir os riscos à população e o acompanhamento dos pacientes atendidos.

O município também mantém vigilância sobre grupos considerados mais vulneráveis, entre eles:

* Crianças;
* Gestantes;
* Idosos;
* Pessoas com doenças respiratórias;
* Pessoas com doenças cardíacas;
* Trabalhadores expostos ao produto químico.

Orientações para moradores da região

Enquanto o vazamento não for totalmente controlado, a recomendação é evitar permanecer nas proximidades da fábrica localizada na avenida Abiurana, no Distrito Industrial.

As orientações da Semsa são:

* Evitar circular nas áreas isoladas;
* Respeitar as orientações do Corpo de Bombeiros e da Defesa Civil;
* Afastar-se caso perceba forte odor químico;
* Manter os vidros dos veículos fechados e desligar a entrada de ar externo durante o deslocamento;
* Fechar portas e janelas das residências quando houver odor vindo do ambiente externo;
* Não utilizar fósforos, velas, isqueiros ou qualquer outra fonte de chama, já que o estireno é inflamável.

Monitoramento continua

As autoridades informam que o acompanhamento da qualidade do ar e dos impactos à saúde da população permanece sendo realizado diariamente.

Quem mora, trabalha ou precisa circular pelo Distrito Industrial deve acompanhar os comunicados oficiais antes de se deslocar para a região e seguir rigorosamente as orientações dos órgãos de saúde e segurança até que o vazamento seja completamente controlado.

 

Por Victoria Medeiros, da Redação da Jovem Pan News Manaus

Foto: Gato jr/ Rede amazônica