95% das crianças e adolescentes brasileiros usam internet; pediatra orienta sobre limites no uso de telas

Pesquisa aponta alta presença de jovens no ambiente digital e especialista alerta para impactos do uso excessivo na saúde, no sono e no desenvolvimento infantil.

O acesso à internet já faz parte da rotina da maioria das crianças e adolescentes brasileiros. De acordo com a pesquisa TIC Kids Online Brasil 2025, cerca de 95% das pessoas entre 9 e 17 anos utilizam a internet, o equivalente a aproximadamente 25 milhões de crianças e adolescentes no país.

Diante desse cenário, especialistas reforçam a importância de estabelecer limites para o uso de dispositivos eletrônicos, especialmente durante a infância, para evitar impactos no desenvolvimento e na saúde.

Uso excessivo de telas pode afetar desenvolvimento

Segundo o médico pediatra Luiz Felipe Sordi, docente da Afya Faculdade de Ciências Médicas de Manacapuru e supervisor da residência médica em Pediatria da instituição, o uso excessivo de telas está associado a alterações que podem comprometer o desenvolvimento infantil e o bem-estar dos adolescentes.

De acordo com o especialista, entre os problemas observados com maior frequência estão dificuldade de atenção, atraso na linguagem, irritabilidade, alterações no sono, sedentarismo, ganho de peso, ansiedade e dificuldades de relacionamento social. Nas crianças menores, o excesso de telas também pode interferir na comunicação, na criatividade e nas brincadeiras.

“O uso de telas pode afetar vários aspectos do desenvolvimento infantil e da saúde dos adolescentes. No consultório, esses sinais têm sido cada vez mais frequentes”, afirma.

Redes sociais estão presentes desde os primeiros anos

A pesquisa também mostra que o acesso às redes sociais ocorre cada vez mais cedo. Entre crianças de 9 e 10 anos, 64% já possuem perfil em plataformas digitais. O índice sobe para 79% entre 11 e 12 anos, chega a 91% na faixa de 13 a 14 anos e alcança 99% entre adolescentes de 15 a 17 anos.

O acesso acontece, principalmente, por meio de telefones celulares.

Para o pediatra, o problema não está na tecnologia em si, mas na substituição de atividades fundamentais para o desenvolvimento.

“As telas não são o problema em si. O desafio surge quando elas passam a ocupar o espaço de atividades importantes, como brincar, praticar exercícios físicos, dormir bem, conviver com a família e interagir com outras crianças”, explica.

Sinais de alerta para pais e responsáveis

Entre os comportamentos que merecem atenção, o especialista destaca irritação intensa quando o aparelho é retirado, perda de interesse por brincadeiras e atividades ao ar livre, queda no rendimento escolar, alterações no sono, redução da convivência familiar e uso compulsivo ou escondido dos dispositivos.

Segundo Luiz Felipe Sordi, quando esses sinais começam a aparecer, é recomendável buscar avaliação médica.

“O excesso de telas também pode favorecer ansiedade, dificuldade para lidar com frustrações e comprometer habilidades importantes, como empatia e resolução de conflitos, principalmente na adolescência”, ressalta.

Recomendações para o uso de telas

Como medida preventiva, o pediatra orienta que crianças menores de dois anos não utilizem telas. Entre 2 e 5 anos, o tempo de exposição deve ser limitado a até uma hora por dia. Para crianças de 6 a 10 anos, a recomendação é de até duas horas diárias.

Já para os adolescentes, o foco deve ser o equilíbrio entre o tempo de tela e outras atividades da rotina.

O especialista recomenda que pais e responsáveis incentivem práticas como esportes, leitura, brincadeiras e passeios, além de acompanharem a vida digital dos filhos e promoverem conversas sobre segurança, respeito e uso consciente da tecnologia.

Por Erike Ortteip, da redação da Jovem Pan News Manaus.