O Itacoatiara não deverá disputar a Série A3 do Campeonato Brasileiro Feminino em 2027. Após terminar a Série A2 deste ano na última colocação e ser rebaixado, o clube anunciou o encerramento do projeto no futebol feminino. A decisão foi confirmada pelo presidente João Carlos Dias, que afirmou que a equipe passará a concentrar suas atividades no futebol masculino e nas categorias de base.
“Infelizmente, a gente não dará mais continuidade no futebol feminino, não fará mais parte da nossa grade. A gente vai só competir com o profissional masculino, com a base masculina. Infelizmente para a gente, depois de oito anos, seis anos consecutivos disputando ali o acesso da A2, com tudo isso, mas infelizmente pela falta de apoio, patrocínios, é muito difícil competir com futebol feminino”, afirmou João Carlos.
Trajetória no cenário nacional
O encerramento coloca fim a uma trajetória de oito anos do clube no futebol feminino. Antes identificado como JC, o time participou de competições nacionais e chegou a disputar o acesso à elite em diferentes oportunidades.
Um dos momentos de maior destaque ocorreu em 2023, quando a equipe enfrentou o Fluminense pela Série A2 em uma partida decisiva por uma vaga na primeira divisão. O duelo foi realizado no estádio Floro de Mendonça, em Itacoatiara, que recebeu grande público. A classificação acabou ficando com o time carioca após disputa por pênaltis.
“Foram oito anos de competição, a gente decidiu por cinco vezes o acesso. Tivemos o duelo histórico contra o Fluminense, casa lotada, lotação total no Floro de Mendonça, e a gente, claro, vai encerrando com uma tristeza no coração”, disse o presidente.
Rebaixamento na Série A2
A temporada de 2026 terminou de maneira diferente dos anos anteriores. O Itacoatiara somou quatro pontos na Série A2, com uma vitória e um empate, e terminou na última posição da competição.
Com o resultado, o clube foi rebaixado para a Série A3. A queda, no entanto, não será seguida por uma tentativa de retorno imediato, já que a diretoria decidiu encerrar a equipe feminina.
Segundo João Carlos, a dificuldade para conseguir recursos específicos para a modalidade pesou na decisão.
“Hoje é muito difícil quando você fala em patrocínio para o futebol feminino. Não tem a mesma visibilidade como tem o masculino. Então, por alguns outros empecilhos, a gente decidiu fazer as competições somente com o masculino”, explicou.
Falta de recursos
O presidente também apontou a ausência de apoio financeiro como um dos fatores que contribuíram para o fim do projeto. De acordo com o dirigente, o clube esperava receber recursos em 2026 para auxiliar na manutenção da equipe feminina, mas o aporte não ocorreu.
“Esse ano de 2026, a gente esbarra na grande dificuldade. É um ano político. A gente esperava apoio do Governo do Estado do Amazonas, da nossa própria federação. Ficamos tristes em saber que o projeto de apoio aos clubes profissionais, infelizmente, não vai ter o aporte financeiro para os clubes esse ano”, afirmou.
João Carlos também defendeu a criação de mecanismos permanentes de incentivo para clubes que disputam competições nacionais. Como exemplo, citou um modelo existente em Mato Grosso, com repasses definidos de acordo com a divisão disputada pelas equipes.
“Não tem como fazer futebol se não tiver apoio. Queríamos muito que pudesse ter o mesmo incentivo que é no Mato Grosso, uma lei de incentivo em que todos os clubes que estão participando do campeonato nacional já têm uma cota definida”, disse.
Clube vai priorizar futebol masculino
Com o encerramento da equipe feminina, o Itacoatiara pretende direcionar seus esforços para o futebol masculino e para as categorias de base. A meta é seguir participando das competições estaduais e buscar uma vaga na Série D do Campeonato Brasileiro.
Apesar do fim do projeto feminino, o presidente avaliou de forma positiva a trajetória construída ao longo dos oito anos e destacou as dificuldades enfrentadas pelos clubes da região na busca por investimentos.
“Saímos de cabeça erguida. Foram esses longos anos de muita luta, muitas batalhas, tempos difíceis, muitas dificuldades e infelizmente faz parte do futebol. Aqui nós que somos nortistas, você sabe que não é fácil a busca por patrocínio, a pouca visibilidade que temos”, afirmou.
João Carlos também citou o momento vivido pelo futebol amazonense e demonstrou expectativa de crescimento dos clubes do estado nas próximas temporadas.
“Acreditamos num futuro melhor, um futebol que vem com um crescimento com o Nacional, com o Amazonas, com o Manauara, com o próprio Parintins, o Princesa. O Itacoatiara também esse ano fez uma grande participação no masculino. Então acreditamos em fazer, ano que vem, um grande campeonato com o futebol masculino”, declarou.
Com informações do GE.AM*
Por Victoria Medeiros, da Redação da Jovem Pan news Manaus
Foto: Dimily Paiva






