A concentração de fumaça voltou a alterar a qualidade do ar em Manaus nesta quarta-feira (23). O monitoramento realizado nas primeiras horas do dia registrou 587,9 µg/m³ de partículas no Distrito Industrial I, na Zona Sul, enquanto outras áreas da capital também apresentaram índices classificados como péssimos.
O registro ocorreu por volta das 5h15 e foi identificado pelo Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), desenvolvido pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA). Na escala utilizada pela plataforma, valores acima de 125 µg/m³ já entram na classificação péssima, enquanto 160 µg/m³ é a referência máxima apresentada pelo sistema.
Com isso, a medição no Distrito Industrial ficou mais de três vezes acima dessa referência. Este é o sexto episódio envolvendo fumaça e aumento da poluição registrado em Manaus nos últimos 15 dias.
Uma hora depois, a concentração no Distrito Industrial havia diminuído para 382,8 µg/m³, ainda acima dos parâmetros da escala.
Os sensores indicaram que o problema não ficou restrito à Zona Sul. No Parque Dez, a concentração chegou a 267,5 µg/m³ às 5h15. Na Compensa, o registro foi de 219 µg/m³.
Às 6h, o Parque Dez apresentava 223,4 µg/m³ e o Armando Mendes, na Zona Leste, marcava 216,9 µg/m³. Também foram identificados índices elevados em pontos próximos a Chapada, Coroado, Aleixo e Morro da Liberdade.
Entre 12 estações da UEA consideradas no levantamento, oito estavam na faixa péssima. O Aeroporto de Manaus registrou 197 µg/m³ e o Morro da Liberdade, 188 µg/m³.
Os números podem variar entre estações e ao longo do dia. O próprio Selva informa que fatores como vento, poeira, presença de fumaça e condições dos sensores podem interferir nas medições.
O novo episódio ocorre após Manaus registrar, na terça-feira (22), a maior temperatura de 2026 citada no levantamento.
Dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) apontaram 38,6°C às 15h. No Aeroporto de Manaus, a temperatura medida no mesmo horário ultrapassou 39°C.
Ao mesmo tempo, o Amazonas registra crescimento no número de focos de calor. Entre 1º e 19 de setembro, dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) apontaram 2.384 ocorrências, contra 624 no mesmo intervalo de 2025. A diferença representa aumento de 282,1%.
Considerando os dados acumulados de 2026 citados no levantamento, o Amazonas já passou de 5,2 mil focos, contra 4.545 contabilizados durante todo o ano passado.
Entre os municípios amazonenses, Apuí soma 944 focos em 2026 e aparece na terceira posição do levantamento nacional apresentado, atrás de Altamira, no Pará, com 1.241, e Lagoa da Confusão, no Tocantins, com 1.032.
Informações divulgadas por órgãos locais relacionam a fumaça observada na capital a áreas de queimadas na Amazônia, incluindo municípios da Região Metropolitana e do leste amazonense. A movimentação das massas de ar pode transportar partículas produzidas pelo fogo para outras localidades.
O monitoramento desta quarta-feira também identificou aumento da poluição fora de Manaus. Sete dos 13 municípios monitorados na Região Metropolitana apresentavam concentrações superiores a 125 µg/m³.
Autazes chegou a 576,6 µg/m³. Manacapuru, Manaquiri, Careiro, Rio Preto da Eva, Iranduba e Itacoatiara também estavam na classificação péssima.
Em Borba, Silves e Careiro da Várzea, as medições ficaram entre 77,4 e 109,8 µg/m³, dentro da classificação muito ruim do sistema.
Governo do Amazonas e Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas foram procurados pela reportagem citada no material original para informar a situação das queimadas na Região Metropolitana, mas não haviam respondido até a última atualização.
As condições do ar também provocaram alteração no funcionamento da Universidade Federal do Amazonas (Ufam). A instituição informou que as atividades em unidades de Manaus serão realizadas de forma remota nesta quarta-feira.
A decisão teve como base um parecer do Centro de Ciências do Ambiente (CCA/Ufam), que apontou concentrações elevadas de material particulado fino (MP2,5), associadas às queimadas e ao deslocamento da fumaça.
A Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) recomenda diminuir o tempo de exposição ao ar com fumaça, principalmente entre crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças respiratórias ou cardiovasculares.
A orientação inclui evitar exercícios físicos intensos ao ar livre durante os períodos de maior concentração de partículas e manter a hidratação.
Febre não é um efeito típico da fumaça, mas irritação nos olhos e nas vias respiratórias, tosse e dificuldade para respirar podem ocorrer durante episódios de poluição. Pessoas com sintomas persistentes ou agravamento de doenças preexistentes devem buscar atendimento de saúde.
O monitoramento da qualidade do ar permanece ativo durante o dia.
Por Haliandro Furtado, da redação da Jovem Pan News Manaus






