Rio Negro tem queda mais lenta, e navegação pode melhorar no fim de novembro, prevê Antaq

Agência Nacional de Transportes Aquaviários aponta desaceleração da vazante nos rios da Região Norte. Em Manaus, o Rio Negro atingiu 16,97 metros, enquanto a previsão indica melhora da navegabilidade a partir da quarta semana de novembro.

A redução no ritmo de descida dos rios da Região Norte pode favorecer a recuperação das condições de navegação a partir da quarta semana de novembro. A previsão foi apresentada nesta quinta-feira (22) pelo diretor-geral da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), Frederico Dias, durante a abertura de uma sessão da diretoria colegiada da instituição.

Segundo o diretor, o cenário intermediário das projeções indica que a navegabilidade deve começar a se normalizar no fim do próximo mês. A estimativa considera a desaceleração da vazante registrada nas últimas semanas.

Há duas semanas, os rios apresentavam queda média de 13 centímetros por dia. Atualmente, esse ritmo diminuiu para 7 centímetros diários, indicando uma redução na velocidade de descida das águas.

Rio Negro registra 16,97 metros em Manaus

O Rio Negro continua em processo de vazante e apresenta restrições à navegação em determinados trechos. Na quarta-feira (21), o nível do rio chegou a 16,97 metros na régua de medição do Porto de Manaus.

Apesar da descida, a cota permanece acima dos níveis registrados durante as estiagens de 2023 e 2024.

Na comparação com o mesmo dia de 2023, o Rio Negro estava 4,07 metros mais alto. Em relação a 2024, a diferença era de 4,34 metros.

A redução diária também apresenta diferença em relação aos anos anteriores. Nesta quinta-feira (22), a queda registrada foi de 7 centímetros, enquanto, na mesma data de 2023, o recuo havia sido de 11 centímetros.

Os dados indicam uma desaceleração da vazante, embora o nível do rio continue diminuindo na capital amazonense.

Dragagem entre Manaus e Itacoatiara reduz impactos da estiagem

Durante a apresentação, Frederico Dias também destacou os trabalhos de dragagem realizados pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) no trecho do rio entre Manaus e Itacoatiara.

Segundo o diretor-geral da Antaq, a intervenção aumentou em 1,2 metro a profundidade do ponto considerado crítico para a navegação.

A medida contribuiu para reduzir os efeitos da vazante sobre o transporte aquaviário, especialmente em áreas onde a redução do nível das águas limita a passagem de embarcações.

A manutenção das condições de navegabilidade é importante para o transporte de passageiros e mercadorias, considerando a dependência dos rios para o abastecimento e o deslocamento entre municípios do Amazonas.

Antaq analisa cobranças da taxa de seca

A Antaq também informou que concluiu a análise de todos os avisos de cobrança da chamada taxa de seca apresentados pelas empresas até o momento.

A cobrança é aplicada por operadores do transporte aquaviário em determinadas situações relacionadas às dificuldades operacionais provocadas pela redução do nível dos rios.

De acordo com a agência, cada solicitação foi avaliada individualmente, considerando informações técnicas, operacionais e econômicas das empresas.

As análises resultaram em decisões de homologação condicionada ou de não homologação das cobranças apresentadas.

Fiscalização das sobretaxas continuará

A agência informou que continuará fiscalizando as cobranças e poderá reavaliar decisões com base em documentos e informações complementares.

Mesmo as taxas que receberam homologação permanecerão sob acompanhamento e poderão ser revistas caso surjam novos elementos.

Segundo Frederico Dias, o objetivo é assegurar que eventuais cobranças adicionais tenham justificativa técnica e econômica, evitando valores considerados abusivos para os usuários do transporte aquaviário.

A Antaq continuará acompanhando as condições dos rios e os impactos da estiagem sobre a navegação na Região Norte.