Seca no Amazonas afeta mais de 124 mil famílias e coloca 46 municípios em emergência

Boletim da Defesa Civil aponta 12 municípios em alerta e quatro em atenção. Qualidade do ar chegou ao nível péssimo em Parintins e São Sebastião do Uatumã.

A estiagem no Amazonas já afeta 124.221 famílias e mantém 46 municípios em situação de emergência. Os dados foram divulgados nesta segunda-feira (26) pela Defesa Civil do Estado, por meio do Comitê Permanente de Enfrentamento a Eventos Climáticos e Ambientais.

Além das cidades em emergência, outros 12 municípios estão em situação de alerta e quatro em atenção. O levantamento também aponta problemas na qualidade do ar em diferentes regiões do estado, com registros de poluição classificados como péssimos em Parintins e São Sebastião do Uatumã.

O cenário é acompanhado por órgãos estaduais e federais, que realizam operações de combate às queimadas, fiscalização ambiental e monitoramento dos efeitos da seca.

Confira os 46 municípios em situação de emergência

De acordo com a Defesa Civil, os municípios que estão em situação de emergência devido à estiagem são:

Alvarães, Amaturá, Anamã, Anori, Apuí, Atalaia do Norte, Autazes, Barreirinha, Benjamin Constant, Boca do Acre, Borba, Caapiranga, Carauari, Careiro, Careiro da Várzea, Coari, Eirunepé, Envira, Humaitá, Ipixuna, Itamarati, Japurá, Juruá, Jutaí, Lábrea, Manacapuru, Manaquiri, Manicoré, Maraã, Maués, Nhamundá, Nova Olinda do Norte, Novo Airão, Novo Aripuanã, Parintins, Pauini, Presidente Figueiredo, Rio Preto da Eva, Santo Antônio do Içá, São Paulo de Olivença, Silves, Tapauá, Tefé, Tonantins, Uarini e Urucurituba.

Outros 12 municípios estão em alerta:

Barcelos, Beruri, Boa Vista do Ramos, Canutama, Fonte Boa, Guajará, Manaus, Santa Isabel do Rio Negro, São Gabriel da Cachoeira, São Sebastião do Uatumã, Tabatinga e Urucará.

Quatro municípios permanecem em situação de atenção:

Codajás, Iranduba, Itacoatiara e Itapiranga.

Qualidade do ar chega ao nível péssimo em duas cidades

O monitoramento realizado na manhã desta segunda-feira (26) identificou alterações na qualidade do ar em diferentes municípios amazonenses.

Segundo a Defesa Civil, os sensores registraram qualidade do ar moderada em 24 municípios, enquanto outros 11 apresentaram condições classificadas como ruins ou muito ruins.

Em Parintins e São Sebastião do Uatumã, a qualidade do ar atingiu o nível péssimo, o mais elevado na escala de classificação da poluição atmosférica.

Os alertas classificados como moderado e alto tinham validade até as 9h desta segunda-feira. Até o momento da atualização do boletim, ainda não havia sido enviado alerta severo pelo sistema de Defesa Civil para os municípios com qualidade do ar péssima.

Os indicadores devem passar por novas avaliações conforme o encerramento dos períodos de vigência dos alertas.

Manaus registra boa visibilidade e previsão de chuva

Na capital amazonense, os aeroportos registraram visibilidade igual ou superior a dez quilômetros e ausência de fumaça durante a manhã desta segunda-feira.

A previsão meteorológica indica céu parcialmente nublado a nublado, com possibilidade de chuva e temperaturas variando entre 26 °C e 34 °C.

Manaus permanece entre os 12 municípios classificados em situação de alerta devido aos efeitos da estiagem.

Amazonas registra mais de 24 mil focos de incêndio combatidos

Entre 1º de junho e 25 de outubro de 2026, o Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) registrou 3.878 ocorrências relacionadas a incêndios urbanos e florestais.

No mesmo período, as equipes atuaram no combate a 24.266 focos de incêndio em todo o estado.

Desse total, 4.728 focos foram registrados em Manaus e 19.538 nos municípios do interior.

Cerca de mil profissionais, entre bombeiros militares e brigadistas, participam diretamente das operações de combate ao fogo.

Operações mobilizam aeronaves e brigadistas

Segundo o Governo do Amazonas, aproximadamente 1.500 servidores, incluindo bombeiros militares e brigadistas, estão mobilizados nas ações de prevenção, fiscalização e enfrentamento aos efeitos da estiagem.

A operação conta com apoio de 18 aeronaves, sendo 16 disponibilizadas pelo Governo Federal e duas pelo Governo Estadual.

A estrutura aérea inclui oito aeronaves Air Tractor, dois aviões KC-390 e oito helicópteros.

Entre as medidas anunciadas está a contratação de mais 153 brigadistas florestais, por meio do programa Floresta em Pé.

Também estão previstas a utilização de novas viaturas, incluindo picapes equipadas com kits de combate a incêndios, e a distribuição de equipamentos para apoio às operações.

Fiscalização contra queimadas ocorre em dezenas de municípios

As ações de fiscalização ambiental são realizadas por diferentes operações estaduais.

A Operação Tamoiotatá atua em 13 municípios, enquanto a Amazonas+Verde desenvolve atividades de combate a incêndios em 33 cidades.

Já a Operação Alerta Fogo fiscaliza o uso irregular do fogo, utilizando drones e viaturas equipadas com internet via satélite Starlink.

Durante as fiscalizações, os agentes podem aplicar multas e determinar embargos em áreas onde forem identificadas infrações ambientais.

O monitoramento dos focos de calor também utiliza imagens de satélite analisadas pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema) e pelo Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam).

Decretos restringem uso do fogo e ampliam medidas de emergência

Como parte das medidas de prevenção, o Governo do Amazonas estabeleceu decretos que proíbem o uso do fogo por 120 dias em todo o território estadual, respeitadas as exceções previstas na legislação.

Também foram decretadas situações de emergência por 180 dias em áreas afetadas por incêndios florestais e em todo o estado em razão da estiagem.

As medidas permitem a ampliação das ações de resposta aos desastres ambientais e de recuperação das regiões atingidas.

Além das operações de campo, o estado informou que mais de 43 mil pessoas participaram de atividades de educação ambiental entre junho e agosto de 2026.