Amazonas registra 6,2 mil mortes de indígenas em cinco anos; suicídios e agressões preocupam

Boletim da FVS-RCP aponta 6.255 mortes de indígenas entre 2021 e 2025. Desse total, 1.184 foram provocadas por causas externas, incluindo acidentes, suicídios e agressões.

O Amazonas registrou 6.255 mortes de indígenas entre 2021 e 2025, segundo boletim epidemiológico divulgado nesta quinta-feira (29/10) pela Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas – Dra. Rosemary Costa Pinto (FVS-RCP).

Do total de óbitos, 1.184, equivalentes a 18,9%, foram classificados como mortes por causas externas, categoria que inclui acidentes, agressões e suicídios. Esse grupo apresentou a maior frequência entre as causas de morte, seguido pelas doenças dos aparelhos circulatório e respiratório.

O levantamento reúne informações sobre mortalidade e violência contra a população indígena no estado e identifica diferenças nos registros conforme sexo e faixa etária.

Suicídios e agressões estão entre as causas de morte

Entre os 1.184 óbitos por causas externas registrados no período, 365 foram classificados como suicídios e 270 como mortes por agressões.

O boletim também contabilizou 5.599 notificações de violência envolvendo indígenas entre 2021 e 2025.

Segundo a FVS-RCP, os registros apontam a necessidade de medidas de prevenção que considerem as condições de acesso aos serviços de saúde e as características dos territórios indígenas.

Homens representam 57,8% das mortes registradas

Os homens corresponderam a 57,8% dos óbitos de indígenas registrados no Amazonas durante os cinco anos analisados. As mulheres representaram 42,2%.

Em ambos os sexos, as maiores proporções de mortes ocorreram entre pessoas com 80 anos ou mais e crianças menores de um ano.

Os dados também apontaram diferenças na distribuição dos óbitos por suicídio entre homens e mulheres.

De acordo com o diretor de Vigilância Epidemiológica da FVS-RCP, Alexsandro Melo, os registros de suicídio se concentraram principalmente entre homens de 20 a 29 anos e mulheres de 15 a 19 anos.

“Essas diferenças ajudam a identificar os grupos que precisam de maior atenção e orientar estratégias de prevenção, acolhimento e acompanhamento em saúde mental”, explicou.

Acesso à saúde e prevenção da violência são desafios

A diretora-presidente da FVS-RCP, Tatyana Amorim, afirmou que as condições de saúde dos povos indígenas envolvem fatores relacionados à violência, aos acidentes e às dificuldades de acesso aos serviços de atendimento.

Segundo ela, o planejamento das ações deve considerar as particularidades culturais e territoriais das comunidades indígenas.

“Para planejar ações de prevenção e cuidado, é necessário considerar as dificuldades de acesso aos serviços, as características de cada território e as particularidades étnico-culturais dos povos indígenas no Amazonas”, afirmou.

O boletim destaca a importância da identificação de situações de risco, do acolhimento e do acesso à rede de proteção e aos serviços de saúde mental.

Boletim reúne dados de mortalidade e notificações de violência

O levantamento foi elaborado a partir de informações do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) e do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan).

Os dados abrangem o período de 2021 a 2025 e poderão subsidiar o planejamento de ações de prevenção da violência, acompanhamento em saúde mental e assistência à população indígena no Amazonas.