Os incidentes ocorreram após dezenas de voos terem sido afetados na quinta-feira (5), quando algumas aeronaves precisaram realizar pousos não programados e outras foram escoltadas ou interceptadas por caças militares.
A primeira sequência de ameaças havia sido registrada na terça-feira (3). Até o momento das informações divulgadas, nenhum artefato explosivo havia sido encontrado e todas as aeronaves envolvidas nos incidentes relatados pousaram em segurança.
O ministro das Relações Exteriores da Espanha, José Manuel Albares, afirmou que a repetição dos episódios pode indicar uma tentativa de ataque híbrido e de guerra psicológica contra países europeus.
Aeroportos da Dinamarca e República Tcheca registram ameaças
Na Dinamarca, a polícia informou que investiga ameaças direcionadas ao tráfego aéreo do Aeroporto de Copenhague.
Segundo as autoridades, a avaliação inicial não identificou perigo para os passageiros. A administração do aeroporto comunicou que as operações continuavam normalmente.
Na República Tcheca, a polícia registrou ameaças de bomba contra voos com origem ou destino em Praga.
De acordo com um porta-voz do aeroporto, os alertas envolveram quatro voos de chegada e cinco de partida.
As verificações não identificaram explosivos, e a administração aeroportuária informou que nenhum voo havia sido cancelado ou desviado em decorrência dessas ameaças.
Voo entre Praga e Roma é desviado para Veneza
Na Itália, uma aeronave da companhia Wizz Air, que realizava a rota entre Praga e Roma, foi desviada para Veneza.
A informação foi divulgada por uma fonte da autoridade aeroportuária italiana. O avião pousou em segurança.
Na França, o gabinete do primeiro-ministro informou que quatro novas ameaças de bomba foram direcionadas a aeronaves que sobrevoavam o território francês.
Segundo o governo francês, todos os aviões envolvidos conseguiram pousar sem registro de incidentes.
Em Portugal, um alerta de bomba em um voo da Ryanair, que partiu de Roma com destino a Lisboa, provocou a ativação de uma operação de segurança após o pouso da aeronave.
A informação foi divulgada pela CNN Portugal.
Autoridades investigam possibilidade de ataques coordenados
Especialistas em segurança avaliam que a repetição das ameaças em diferentes países apresenta características de uma possível operação híbrida coordenada.
Esse tipo de ação pode envolver estratégias destinadas a provocar interrupções em serviços, mobilizar estruturas de segurança e gerar instabilidade, sem necessariamente utilizar ataques militares convencionais.
Os investigadores também consideram outras possibilidades, como ameaças feitas por imitadores ou pessoas motivadas por conflitos individuais.
Até o momento, nenhum país atribuiu oficialmente a responsabilidade pelos alertas registrados nos voos comerciais.
Europa relaciona episódios a cenário de sabotagens
A sequência de ameaças ocorre em meio a investigações sobre atos de sabotagem e tentativas de ataques contra instalações em diferentes regiões da Europa.
Entre os alvos mencionados estão subestações de energia elétrica na Alemanha, estruturas ligadas à defesa na região do Báltico, equipamentos de refrigeração em supermercados franceses e instalações do Aeroporto de Leipzig, também na Alemanha.
Autoridades europeias têm relacionado parte dessas ações ao contexto da guerra na Ucrânia e ao apoio oferecido por países do continente ao governo ucraniano.
Nesse cenário, Moscou tem sido acusada por autoridades europeias de promover ações híbridas destinadas a causar interrupções e instabilidade, com custos reduzidos e dificuldade de identificação dos responsáveis.
Não há, entretanto, atribuição oficial de responsabilidade à Rússia pelas ameaças de bomba relatadas nesta semana.
Ministro espanhol aponta possível guerra psicológica
Em entrevista à emissora pública espanhola TVE, o ministro das Relações Exteriores da Espanha, José Manuel Albares, afirmou que a repetição de incidentes com características semelhantes em diferentes países exige investigação.
Segundo o ministro, a ocorrência de ameaças com o mesmo modo de operação em vários pontos da Europa levanta a possibilidade de uma ação coordenada.
Albares classificou a hipótese de agressão híbrida e guerra psicológica como a explicação mais provável para os episódios, embora tenha reconhecido que a identificação dos responsáveis poderá levar tempo.
O ministro também afirmou que os países europeus precisam se preparar para a possibilidade de novos incidentes.
As autoridades de segurança continuam investigando a origem das ameaças e monitorando as operações aéreas nos países afetados.
Por Haliandro Furtado, da redação da Jovem Pan News ManauS






