Menopausa tardia pode estar ligada à preservação dos vasos sanguíneos do cérebro

Estudo com 352 mulheres identificou menos sinais de danos cerebrais entre aquelas que passaram mais anos em idade reprodutiva

Mulheres que chegaram à menopausa mais tarde e aquelas que utilizaram terapia hormonal nesse período apresentaram menos sinais de alterações nos pequenos vasos sanguíneos do cérebro aos 70 anos. A associação foi identificada em uma pesquisa do Instituto Karolinska, na Suécia, publicada na quarta-feira (4), na revista científica Neurology.

O estudo acompanhou 352 mulheres nascidas em 1944. Todas realizaram exames de ressonância magnética aos 70 anos, enquanto a maioria passou por uma nova avaliação cinco anos depois. Os pesquisadores também consideraram informações sobre o início da menstruação, a idade da menopausa e o histórico de uso de contraceptivos e hormônios.

Maior período reprodutivo e alterações cerebrais

Um dos principais resultados apontou que cada ano adicional entre a primeira menstruação e a menopausa esteve associado a uma redução de aproximadamente 8% na probabilidade de apresentar dois ou mais sinais de alterações nos pequenos vasos cerebrais aos 70 anos.

Entre os fatores analisados, a menopausa em idade mais avançada apresentou a associação mais expressiva com a menor ocorrência dessas alterações.

As mulheres que utilizaram terapia hormonal durante a menopausa também apresentaram menos sinais de comprometimento vascular. Os exames indicaram, ainda, melhor preservação da substância branca cerebral nesse grupo. Essa estrutura é formada por fibras nervosas responsáveis pela comunicação entre diferentes regiões do cérebro.

Relação com áreas afetadas pelo Alzheimer

Outro achado envolveu a espessura do córtex cerebral. As participantes que fizeram terapia hormonal apresentaram uma camada mais espessa em regiões que costumam ser afetadas pelo Alzheimer.

Entretanto, essa associação foi observada somente entre as mulheres que possuíam a variante genética APOE-ε4, relacionada ao aumento da predisposição para desenvolver a doença.

A pesquisa também investigou sinais da chamada doença dos pequenos vasos cerebrais, condição que compromete os vasos responsáveis pelo fornecimento de sangue ao tecido cerebral.

Para identificar possíveis alterações, os pesquisadores analisaram as imagens de ressonância magnética em busca de pequenas lesões, cavidades preenchidas por líquido e pontos de sangramento no cérebro.

Exposição ao estrogênio ao longo da vida

De acordo com a neurobióloga Anna Marseglia, do Instituto Karolinska, os resultados indicam que o período de exposição ao estrogênio pode estar relacionado à condição dos vasos sanguíneos cerebrais durante o envelhecimento.

“A exposição hormonal em diferentes períodos da vida de uma mulher pode ter efeitos cumulativos também na saúde dos vasos sanguíneos do cérebro na idade adulta”, afirma a pesquisadora.

Apesar das associações identificadas, os cientistas ressaltam que não é possível afirmar que o estrogênio seja responsável pela redução dos sinais de alterações cerebrais.

Pesquisa não recomenda reposição hormonal para prevenir demência

Por ser um estudo observacional, a pesquisa não estabelece uma relação de causa e efeito entre a exposição hormonal e a preservação dos vasos sanguíneos. Outro fator é que os níveis de hormônios das participantes não foram medidos diretamente.

Os pesquisadores também destacam que os resultados não devem ser interpretados como uma recomendação para utilizar terapia hormonal com o objetivo de prevenir Alzheimer ou demência.

Além disso, a investigação foi realizada com mulheres de uma única cidade da Suécia. Por isso, novos estudos, com grupos maiores e diferentes populações, serão necessários para confirmar se as mesmas associações se repetem.

 

 

 

Por Victoria Medeiros, da Redação da Jovem Pan News Manaus

Foto: Freepik