Adolescentes suspeitos de espancar cão Orelha estão nos EUA, diz Polícia Civil de SC

Investigação apura agressões ocorridas em Florianópolis; outros dois suspeitos foram alvos de mandados de busca

Dois dos quatro adolescentes suspeitos de envolvimento na morte do cão comunitário conhecido como Orelha estão em viagem aos Estados Unidos, segundo informou o delegado-geral da Polícia Civil de Santa Catarina, Ulisses Gabriel. De acordo com ele, a viagem já estava programada e os jovens devem retornar ao Brasil na próxima semana.

“Dois adolescentes foram alvos de busca e outros dois estão nos Estados Unidos e foram para lá em viagem, que segundo consta, era pré-programada e estão lá retornando na próxima semana”, afirmou o delegado.

Na segunda-feira (26), a Polícia Civil cumpriu mandados de busca e apreensão no curso da investigação. Um dos alvos foi um adulto que, segundo a apuração, estaria na posse de uma arma e teria ameaçado uma testemunha do caso.

“Cumprimos um mandado de busca e apreensão em relação a um adulto que estaria na posse de uma arma durante a ameaça perpetrada com relação a uma testemunha. Nós não localizamos essa arma de fogo. Localizamos apenas uma quantidade de droga para o uso dentro da residência”, disse Gabriel, em vídeo divulgado pela Polícia Civil.

O caso é investigado pela Polícia Civil e acompanhado pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), por meio da 10ª Promotoria de Justiça da Capital, da área da Infância e Juventude, e da 32ª Promotoria de Justiça da Capital, da área do Meio Ambiente.

Segundo o Ministério Público, Orelha sofreu agressões na região da cabeça e morreu durante atendimento veterinário. A 10ª Promotoria de Justiça informou que “diversas pessoas já foram ouvidas, e novas oitivas estão previstas para os próximos dias, conforme o avanço da investigação e a consolidação dos elementos reunidos pela autoridade policial”.

A Delegacia de Proteção Animal é responsável pela apuração. A delegada Mardjoli Valcareggi informou que os suspeitos já foram localizados. “Os suspeitos já foram localizados e a investigação está na fase de oitivas”, disse. Ela também afirmou que “crimes contra animais costumam ser difíceis de apurar, pois eles não falam”.

O cão Orelha era conhecido na comunidade onde vivia, na região da Praia Brava, em Florianópolis. Moradores relataram que ele e outros animais circulavam pelo local e recebiam cuidados da população. Após as agressões, o animal foi levado para atendimento veterinário, mas não resistiu.

Tentativa de afogamento

A investigação avançou e passou a apurar se o mesmo grupo tentou matar outro cão no mesmo dia. De acordo com a Polícia Civil, um vira-lata caramelo teria sido levado ao mar em uma tentativa de afogamento, mas conseguiu escapar.

O animal sobreviveu e foi adotado pelo próprio delegado-geral Ulisses Gabriel, que informou que acompanhará pessoalmente o andamento do caso.

Segundo ele, há indícios de que os quatro adolescentes tenham participado das agressões contra Orelha e de que três adultos possam ter atuado para interferir na investigação, inclusive com intimidação de testemunhas.

“A Justiça será feita independentemente de quem sejam os autores dessa ação criminosa. Se houver prova de participação de um adulto na coação, a prisão preventiva será solicitada imediatamente”, afirmou.

Familiares dos acusados tentam coagir testemunha

Na segunda-feira (26), a Polícia Civil também cumpriu mandado de busca contra um adulto suspeito de ameaçar uma testemunha com uma arma.

“Cumprimos um mandado de busca e apreensão em relação a um adulto que estaria na posse de uma arma durante a ameaça perpetrada com relação a uma testemunha. Nós não localizamos essa arma de fogo. Localizamos apenas uma quantidade de droga para o uso dentro da residência”, disse o delegado, em vídeo divulgado pela corporação.

Investigação e Justiça

O governador Jorginho Mello (PL) determinou prioridade para o caso. A apuração é conduzida pela Delegacia de Proteção Animal, com apoio do Departamento de Investigação Criminal (DIC). O Ministério Público de Santa Catarina acompanha o inquérito.

A magistrada que analisava inicialmente o caso se declarou impedida, e um novo juiz passou a conduzir as decisões judiciais relacionadas à investigação.

A delegada Mardjoli Adorian Valcareggi, responsável pelo caso, informou que há indícios de autoria por parte do grupo de adolescentes. “Os suspeitos já foram localizados e a investigação está na fase de oitivas”, disse. Ela também afirmou que “crimes contra animais costumam ser difíceis de apurar, pois eles não falam”.

Segundo a 10ª Promotoria de Justiça da Capital, “diversas pessoas já foram ouvidas, e novas oitivas estão previstas para os próximos dias, conforme o avanço da investigação e a consolidação dos elementos reunidos pela autoridade policial”.

Protestos e repercussão

A morte de Orelha gerou protestos na Praia Brava e manifestações nas redes sociais pedindo punição aos responsáveis. O caso chegou à Assembleia Legislativa de Santa Catarina. O deputado estadual Mário Motta (PSD) propôs a criação de uma estátua em homenagem ao animal e lançou um abaixo-assinado para viabilizar o projeto.

O Ministério Público do Amazonas também se manifestou sobre o caso. Em nota, afirmou que “maus-tratos a animais é crime” e que “a proteção animal é uma questão de Justiça e cidadania”. O órgão destacou que atua para garantir a responsabilização dos agressores e a defesa dos animais.

Famílias negam envolvimento

Familiares de dois dos adolescentes investigados negaram a participação dos filhos no crime. Em notas divulgadas por meio da ANK Reputation, as famílias afirmam que os jovens estão sendo acusados injustamente e relatam ameaças.

Uma das notas diz: “Afirmamos com absoluta segurança que nosso filho não teve qualquer participação nesse episódio e que nos somamos às pessoas que estão pedindo às autoridades o total esclarecimento do fato”.

Outra família declarou: “Queremos afirmar com toda a veemência que nosso filho não tem qualquer relação com esse fato, não participou e não colaborou de nenhuma forma para que ocorresse”.

As defesas afirmam que vídeos e fotos sem relação com o caso estariam sendo usados para associar os adolescentes ao crime e que há informações contraditórias circulando nas redes sociais.

Sobre a viagem aos Estados Unidos, uma das famílias declarou: “O fato de nosso filho estar em viagem programada há muitos meses é transformado em algo suspeito, em fuga de responsabilidade. Nada disso procede, queremos que todo esse caso seja solucionado o mais rápido possível”.

As famílias também afirmam que estão colaborando com as autoridades e pedem cautela na divulgação de informações. Em cumprimento ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), a identidade dos adolescentes é preservada.

Leis e enquadramento

Atos infracionais cometidos por adolescentes são tratados conforme o Estatuto da Criança e do Adolescente. Já os crimes de maus-tratos contra animais estão previstos na Lei nº 9.605/1998, com penas ampliadas pela Lei nº 14.064/2020, conhecida como Lei Sansão, que prevê reclusão de dois a cinco anos quando há morte ou lesões graves em cães e gatos.

A Polícia Civil segue colhendo depoimentos, analisando imagens de câmeras de segurança e aguardando o resultado das perícias nos dispositivos apreendidos. A corporação pede que testemunhas procurem a delegacia para colaborar com a investigação.

 

 

Como informações da Jovem Pan News, G1 e nd+*

Por Haliandro Furtado, da redação da Jovem Pan News Manaus