Desde 2015, a Tailândia vem adotando uma solução de baixo custo para enfrentar a erosão costeira e o avanço do mar: a instalação de quilômetros de barreiras de bambu em áreas de águas rasas. As estruturas, formadas por fileiras de estacas fincadas verticalmente no fundo arenoso, são capazes de reduzir a energia das ondas entre 60% e 70%, segundo medições divulgadas por órgãos ambientais do país.
A iniciativa é acompanhada por agências ambientais tailandesas e analisada por centros de pesquisa, como o Royal Project on Mangrove Restoration. O objetivo é conter a perda de solo no litoral e criar condições para a recomposição de manguezais em regiões onde o ecossistema havia sido eliminado por décadas de urbanização, expansão da aquicultura e ocupação desordenada.
Sem a proteção natural das raízes dos manguezais, vilarejos costeiros passaram a perder terreno para o mar, estradas começaram a ceder e áreas agrícolas próximas foram abandonadas. Para enfrentar o problema, o país optou por um modelo diferente das grandes obras de concreto, como diques e quebra-mares.
As barreiras de bambu funcionam como um “quebra-mar filtrante”. Em vez de bloquear totalmente a água, as estruturas reduzem a velocidade e a força das ondas, permitindo a passagem do fluxo, mas favorecendo a deposição de sedimentos. Com isso, lama e areia voltam a se acumular atrás das fileiras, formando uma base física para a recuperação dos manguezais.
De acordo com dados divulgados por órgãos ambientais, a redução da energia das ondas varia conforme vento e maré, mas pode chegar a 70%. Esse amortecimento tem sido suficiente para estabilizar o solo em áreas antes dominadas pela erosão.
Com a formação de novos bancos de sedimento, inicia-se a segunda etapa do processo: o plantio ou a regeneração natural dos manguezais. Esses ecossistemas são apontados por biólogos como “engenheiros ecológicos” por três funções principais: fixam o solo com suas raízes, reduzem ainda mais a força das ondas e sustentam cadeias ecológicas que incluem peixes, moluscos e crustáceos.
Além disso, os manguezais estão entre os ecossistemas mais eficientes na captura de carbono, acumulando, em média, cerca de quatro vezes mais carbono por hectare do que florestas tropicais terrestres.
Levantamentos com imagens aéreas, drones e medições batimétricas nas áreas onde o projeto foi implantado indicam três resultados principais: recuperação de solo antes perdido para o mar, retorno gradual dos manguezais e reaparecimento de espécies como caranguejos, peixes e aves costeiras. Para as comunidades locais, o efeito prático é a proteção de casas, estradas, templos e áreas agrícolas.
Engenheiros citados pela Bangkok Metropolitan Administration apontam cinco vantagens do uso do bambu em comparação com estruturas de concreto: custo menor, instalação mais rápida, integração com os ecossistemas, manutenção simples e possibilidade de expansão modular. Enquanto grandes obras podem custar dezenas de milhões de dólares, as barreiras de bambu exigem investimentos bem menores e não impedem a circulação da fauna costeira.
A experiência da Tailândia começa a inspirar estudos em outros países vulneráveis à erosão e à elevação do nível do mar, como Bangladesh, Filipinas, Indonésia, Vietnã e até os Estados Unidos. A proposta é usar soluções de baixo impacto ambiental e menor custo para complementar ou substituir grandes obras de engenharia.
A estratégia combina duas etapas: o bambu reduz a força do mar e cria as condições iniciais; os manguezais assumem a função de proteção permanente. O modelo vem sendo apontado por pesquisadores como uma alternativa baseada na integração entre infraestrutura leve e recuperação ambiental para enfrentar um problema que, por métodos tradicionais, exigiria investimentos muito mais elevados.
Com informações da Click Pretróleo e Gás*
Por Haliandro Furtado — Redação da Jovem Pan News Manaus






