Ano letivo de 2026 começa pelas águas e leva aulas às comunidades ribeirinhas de Manaus

Calendário escolar antecipado atende realidade dos rios Negro e Amazonas e alcança mais de 2,5 mil estudantes da zona rural

O ano letivo de 2026 nas escolas ribeirinhas de Manaus foi oficialmente iniciado nesta quinta-feira (15), na comunidade Julião, às margens do rio Negro. A abertura marcou o começo das aulas para 2.519 estudantes, matriculados em 48 unidades de ensino distribuídas entre os rios Negro e Amazonas, reforçando a adaptação do calendário escolar à dinâmica das cheias e vazantes da região.

A solenidade foi realizada na escola municipal Canaã 2, onde também ocorreu a reinauguração da unidade. Durante o evento, o prefeito David Almeida destacou que a oferta de educação na Amazônia exige planejamento específico e presença constante do poder público em áreas de difícil acesso.

“As nossas estradas são os nossos rios. É essa realidade que define o início das aulas na zona ribeirinha”, afirmou.

Segundo ele, o deslocamento dos alunos até as escolas depende de logística fluvial, com transporte feito por barcos e botes. O gestor também citou investimentos estruturais nas unidades rurais, como salas climatizadas, internet via satélite, centros de tecnologia educacional, quadra poliesportiva, refeitório e mobiliário novo.

De acordo com David Almeida, as melhorias ajudaram a reverter a evasão escolar na zona rural.

“Em 2021, eram cerca de 9 mil alunos na zona rural. Hoje, são aproximadamente 13.500 estudantes”, disse, ao relacionar o crescimento a investimentos em infraestrutura, merenda, transporte escolar e material pedagógico.

O secretário municipal de Educação, Júnior Mar, explicou que a antecipação do calendário segue critérios pedagógicos alinhados à identidade amazônica.

“Quem define o calendário aqui é o rio. Pela primeira vez, unificamos os calendários do rio Negro e do rio Amazonas, garantindo continuidade no aprendizado”, afirmou. Ele também apresentou o tema pedagógico de 2026: “Escola que acolhe, educa e transforma”.

Representando o Legislativo municipal, o vereador Eduardo Alfaia destacou o impacto das ações nas comunidades ribeirinhas, citando melhorias em áreas como infraestrutura, iluminação, creches e serviços básicos.

Durante a agenda, a reinauguração da escola Canaã 2 simbolizou a mudança na rotina da comunidade. O diretor da unidade, Carlos Rocha, afirmou que a escola passou por uma transformação significativa.

“Muitas crianças nunca tinham estudado em salas climatizadas. Hoje, a realidade é outra”, disse.

Moradora da comunidade Julião, Edna Barbosa, mãe de duas alunas, também destacou o impacto das melhorias.

“O aprendizado vai melhorar muito com essa nova estrutura”, afirmou.

Ao encerrar a solenidade, David Almeida reforçou que a educação segue como prioridade da gestão. A abertura do ano letivo no interior da Amazônia simboliza, segundo os organizadores, o compromisso de levar ensino público às regiões onde o acesso à escola começa pelo rio.

 

Com Informações da Secretaria Municipal de Comunicação

Por João Paulo Oliveira, da redação da Jovem Pan News Manaus