Anvisa aprova Leqembi para Alzheimer em fase inicial no Brasil

Fármaco age sobre placas beta-amiloide e não se limita ao alívio de sintomas.

A Anvisa aprovou o medicamento Leqembi para o tratamento da doença de Alzheimer em estágio inicial. O fármaco é indicado para pacientes com comprometimento cognitivo leve ou demência leve associada à doença. A proposta é desacelerar a progressão dos sintomas ao atuar diretamente no mecanismo da enfermidade.

O Leqembi age contra o acúmulo de beta-amiloide no cérebro. Essa substância forma placas associadas ao desenvolvimento do Alzheimer. O medicamento utiliza anticorpos que reduzem a carga de amiloide, dificultando a formação dessas placas ao longo do tempo.

Evidências clínicas

A eficácia foi demonstrada em um estudo publicado em 2022 na revista New England Journal of Medicine. O ensaio clínico envolveu 1.795 pacientes entre 50 e 90 anos, todos em estágio inicial da doença. O tratamento foi feito com infusões a cada duas semanas. Após 18 meses, os participantes apresentaram redução do declínio cognitivo e funcional.

O medicamento não é indicado para todos os pacientes. É necessário confirmar a presença de placas beta-amiloide por exame de imagem ou análise do líquor. Os pacientes também precisam passar por testagem genética e manter acompanhamento médico regular durante o uso.

Efeitos colaterais

O uso do Leqembi está associado a eventos conhecidos como ARIA, alterações detectadas em exames de imagem. Os efeitos mais comuns são edemas cerebrais e pequenos sangramentos. O estudo apontou reações relacionadas à infusão em 26,4% dos participantes e alterações de imagem em 12,6%. Outros efeitos relatados incluem dor de cabeça, quedas, tontura e siderose superficial do sistema nervoso central.

O custo do tratamento é elevado. Nos Estados Unidos, a estimativa varia entre 25 mil e 30 mil dólares por paciente ao ano. Além do valor do medicamento, há custos com exames, infusões quinzenais e monitoramento médico contínuo.

Impacto no dia a dia dos pacientes

Os estudos indicam benefícios em funções avaliadas por escalas clínicas, como memória, orientação, julgamento e atividades cotidianas. A percepção dos efeitos tende a ser observada principalmente por familiares e cuidadores, que acompanham a rotina dos pacientes.

O Leqembi não é eficaz em estágios avançados da doença, quando o dano neurológico já está estabelecido. Há estudos em andamento que avaliam o uso do medicamento em pessoas sem sintomas, mas com alta presença de placas beta-amiloide no cérebro.

Próximos passos

A aprovação marca a chegada de uma nova estratégia terapêutica para o Alzheimer no Brasil. O uso depende de critérios clínicos rigorosos, avaliação individualizada e infraestrutura especializada para garantir segurança e acompanhamento adequado.

Com informações da Agência Brasil
Foto: Divulgação
Por Ismael Oliveira – Redação Jovem Pan News Manaus