Ariranha entra em lista da ONU após queda de 50% da população em 25 anos

Espécie passa a integrar acordo internacional que prevê ações urgentes de conservação e cooperação entre países

A ariranha, maior lontra do mundo, foi incluída na lista da Convenção sobre Espécies Migratórias da ONU (CMS), decisão que abre caminho para ações internacionais de proteção. A medida ocorre em meio à redução de cerca de 50% da população da espécie nos últimos 25 anos.

A inclusão foi aprovada durante a 15ª Conferência das Partes da CMS (COP15), realizada em Campo Grande (MS), após articulação de pesquisadores e organizações ambientais junto aos países signatários.

Atualmente, a principal ameaça à espécie é a perda e fragmentação do habitat, além da poluição dos rios. Antes, a caça para o comércio de peles era o principal fator de pressão. Hoje, as populações estão concentradas principalmente na Amazônia e no Pantanal.

A ariranha (Pteronura brasiliensis) é um mamífero semiaquático carnívoro e ocupa o topo da cadeia alimentar, com papel importante no equilíbrio dos ecossistemas.

“Costumamos dizer que a ariranha é a sentinela dos rios, pois sua presença significa a saúde dos ecossistemas”, afirma a bióloga Caroline Leuchtenberger, coordenadora do grupo de lontras da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN).

Segundo a pesquisadora, apesar de não realizar migrações clássicas, a espécie percorre grandes extensões de rios, o que justifica a necessidade de ações coordenadas entre países.

“Todas as outras espécies que dependem da integridade destes rios vão se beneficiar de um maior esforço de conservação das ariranhas”, explica.

Estudos que embasaram a decisão também apontam que, além da redução populacional, há indícios de diminuição no tamanho dos indivíduos, o que pode estar relacionado à menor sobrevivência dos filhotes.

Projeções climáticas indicam que a tendência de queda pode continuar nas próximas décadas, especialmente diante de mudanças no regime de chuvas e impactos ambientais nas bacias hidrográficas.

Outro desafio apontado por especialistas é a relação com comunidades locais. Em algumas regiões, a ariranha ainda é vista como competidora por pescadores.

“A ariranha não é um bicho invisível. Quando ela está por perto, ela sempre é notada”, afirma Leuchtenberger.

A proposta de inclusão da espécie na convenção partiu da França, com apoio do Brasil e de outros países da América do Sul, e foi aprovada sem oposição.

Com a decisão, a ariranha passa a integrar dois níveis de proteção dentro da CMS, o que prevê tanto medidas rigorosas de conservação quanto cooperação internacional. O próximo passo será a construção de um plano conjunto entre os países para garantir a preservação da espécie e dos ecossistemas de água doce.

Com Informações do Site InfoAmazônia

Por João Paulo Oliveira, da redação da Jovem Pan News Manaus