Artemis 2 reacende disputa espacial entre EUA e China após lançamento rumo à Lua

Missão da Nasa leva quatro astronautas à órbita lunar em viagem de 10 dias sem pouso
Foto: NASA/Joel Kowsky

A Nasa lançou, nesta quarta-feira (1º), a missão Artemis 2, marcando o retorno de astronautas à órbita da Lua após mais de 50 anos. A decolagem ocorreu às 19h35 (horário de Brasília), no Centro Espacial Kennedy, em Cabo Canaveral, na Flórida.

A missão tem duração prevista de pouco mais de 10 dias e não inclui pouso na superfície lunar. A cápsula Orion transporta quatro astronautas: Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e Jeremy Hansen.

Logo após a decolagem, o comandante Reid Wiseman afirmou: “Que vista incrível. Estamos vendo um belo nascer da Lua”.

Lançamento teve ajustes antes da decolagem

Minutos antes do lançamento, engenheiros identificaram um problema no sistema de aborto da missão, responsável por retirar a tripulação em caso de falha. A contagem regressiva foi mantida enquanto a equipe corrigia a falha.

Após os ajustes, o controle de missão autorizou o lançamento. “Artemis II, aqui é o diretor de lançamento — vocês estão autorizados para a decolagem”, informou a equipe em solo.

Wiseman respondeu: “Vamos por toda a humanidade”.

Os motores RS-25 e os propulsores laterais foram acionados na sequência, iniciando a subida do foguete.

Etapas da missão até a órbita lunar

A missão percorrerá mais de 800 mil quilômetros. No primeiro dia, a nave permanece em órbita da Terra a cerca de 70 mil quilômetros de altitude.

Após cerca de três horas, o estágio superior do foguete se separa da cápsula Orion. A tripulação realiza manobras para testar o comportamento da nave.

Depois de aproximadamente um dia, a nave executa a manobra de injeção translunar, acionando o motor principal para seguir em direção à Lua.

A viagem até a órbita lunar deve durar cerca de quatro dias. Durante o trajeto, os astronautas realizarão testes e simulações, incluindo procedimentos para situações de emergência, como tempestades solares.

Sobrevoo da Lua e retorno à Terra

A cápsula Orion fará um sobrevoo pelo lado oculto da Lua, a uma distância entre 6.500 e 9.500 quilômetros da superfície. Os astronautas terão cerca de três horas dedicadas à observação e registro de imagens.

Após o sobrevoo, a nave realizará ajustes de trajetória para iniciar o retorno. Quatro dias depois, a cápsula se separa do módulo de serviço e entra na atmosfera terrestre.

Na reentrada, o escudo térmico protege a nave do calor gerado. Paraquedas são acionados para reduzir a velocidade antes do pouso no Oceano Pacífico, onde equipes da Marinha dos Estados Unidos farão o resgate.

Missão marca retomada da exploração lunar

O administrador da Nasa, Jared Isaacman, afirmou que o início da missão ocorreu conforme o planejado. “Após um breve intervalo de 54 anos, a Nasa está de volta ao negócio de enviar astronautas à Lua”, declarou. Ele acrescentou: “Esta missão pertence tanto a vocês quanto à tripulação”.

A Artemis 2 é a primeira missão tripulada além da órbita terrestre desde 1972, durante o programa Programa Apollo.

Planos para base lunar e exploração espacial

A missão faz parte do plano dos Estados Unidos de estabelecer presença permanente na Lua e avançar para missões tripuladas a Marte na década de 2030.

Segundo a Nasa, o objetivo é testar tecnologias e operações necessárias para permanência humana fora da Terra.

A cientista Libby Jackson afirmou que a Lua serve como etapa intermediária. “Ir para a Lua e permanecer lá por um período prolongado é muito mais seguro, mais barato e mais fácil como teste para aprendermos a viver e trabalhar em outro planeta”.

Disputa espacial e interesse econômico

A nova fase da exploração lunar ocorre em um cenário de disputa entre Estados Unidos e China. O país asiático tem ampliado seu programa espacial e planeja enviar astronautas à Lua até 2030.

O administrador da Nasa destacou o cenário geopolítico: “Nos encontramos diante de um verdadeiro rival geopolítico, que desafia a liderança americana na disputa pela supremacia espacial”.

Além do aspecto estratégico, a Lua é vista como fonte de recursos. O ex-administrador da Nasa Sean O’Keefe afirmou: “Depois de todos esses anos pensando que a Lua não passava de um monte de poeira, nós entendemos que ela tem uma quantidade enorme de hélio-3”.

O satélite também possui água em estado sólido e minerais como lítio e platina, utilizados em tecnologia e energia.


Com informações da BBC*

Por Haliandro Furtado, da redação da Jovem Pan News Manaus