Ataque a escola de meninas no Irã deixa 168 crianças mortas e amplia debate sobre impactos da guerra

Bombardeio ocorrido no início do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã atingiu escola na cidade de Minab e provocou mortes e feridos entre estudantes.

Um ataque contra uma escola de meninas na cidade de Minab, no Irã, deixou 168 crianças mortas e mais de 90 feridas no primeiro dia do conflito militar envolvendo Estados Unidos e Israel. O episódio ocorreu no sábado (28) e gerou repercussão internacional ao expor os impactos da guerra sobre a população civil, especialmente mulheres e crianças.

O bombardeio atingiu uma escola de educação infantil feminina durante o período de aulas. De acordo com informações divulgadas por agências internacionais, as estudantes estavam em sala quando o local foi atingido.

O velório das vítimas ocorreu na terça-feira (3) e reuniu uma multidão na cidade. Imagens da cerimônia mostraram fileiras de caixões sendo enterrados enquanto milhares de pessoas acompanhavam o funeral.

O episódio aconteceu no início da ofensiva militar lançada pelos Estados Unidos e por Israel contra o Irã, em meio às tensões relacionadas ao programa nuclear iraniano.

Especialistas e pesquisadores apontam que o ataque reacendeu discussões sobre os impactos da guerra na população civil e sobre as condições de vida das mulheres no país.

Direitos das mulheres no Irã

A socióloga Berenice Bento, professora da Universidade de Brasília, afirmou que o caso evidencia os efeitos do conflito sobre a sociedade civil.

No Irã, mulheres enfrentam restrições legais e sociais, como o uso obrigatório do hijab e limitações relacionadas à mobilidade e à autonomia pessoal. O descumprimento dessas normas pode resultar em punições aplicadas por órgãos de fiscalização conhecidos como polícia da moralidade.

A jornalista e pesquisadora Soraya Misleh, doutora em Estudos Árabes pela Universidade de São Paulo, destacou a mobilização de mulheres iranianas por direitos civis ao longo das últimas décadas.

Entre os movimentos citados está o protesto “Mulher, Vida e Liberdade”, surgido em 2022 após a morte da estudante Mahsa Amini, que havia sido detida pela patrulha de orientação da República Islâmica.

Outra figura mencionada no contexto da luta por direitos é a advogada e ativista Narges Mohammadi, vencedora do Prêmio Nobel da Paz em 2023 por sua atuação contra a opressão de mulheres no país.

Investigações sobre o ataque

A autoria do ataque à escola ainda não foi confirmada oficialmente. O alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, pediu uma investigação internacional rápida e independente para esclarecer as circunstâncias do bombardeio.

Autoridades dos Estados Unidos informaram que estão apurando o caso. Já Israel declarou que não encontrou relação entre o ataque e suas operações militares.

Análise publicada pelo jornal The New York Times, com base em imagens de satélite e vídeos verificados, indicou que a escola foi atingida durante uma ofensiva direcionada a uma base naval da Guarda Revolucionária Islâmica próxima ao Estreito de Ormuz.

Segundo especialistas em segurança, o bombardeio pode ter ocorrido devido à proximidade da escola com o alvo militar.

Dados do Banco Mundial e da UNESCO indicam que a taxa de alfabetização feminina no Irã passou de cerca de 30% na década de 1970 para aproximadamente 85% nos anos 2000. Já a presença de mulheres nas universidades aumentou de 33% para cerca de 60% no mesmo período.

Apesar desse crescimento educacional, a participação feminina no mercado de trabalho permanece entre 15% e 20% do total de pessoas empregadas no país.

Com informações da Agência Brasil.

Por Erike Ortteip, da redação da Jovem Pan News Manaus.