Atos islamofóbicos em amistoso geram repercussão e críticas na Espanha

Primeiro-ministro classifica episódio como “inaceitável” e presta apoio aos atletas

O amistoso entre Espanha e Egito, disputado em Barcelona, terminou sem gols dentro de campo, mas ganhou destaque por um episódio de intolerância nas arquibancadas. Durante a partida, torcedores espanhóis entoaram cânticos de cunho antimuçulmano, gerando forte repercussão negativa.

As manifestações começaram ainda no aquecimento das equipes e se repetiram ao longo do jogo, realizado no RCDE Stadium, casa do Espanyol. Entre os gritos ouvidos, estava a frase “quem não pular é muçulmano”, direcionada à equipe adversária.

O caso provocou reação imediata de autoridades e jogadores. O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, se pronunciou publicamente e condenou o ocorrido, classificando o episódio como inaceitável.

O incidente de ontem (terça-feira) em Cornellà é inaceitável e não deve se repetir. Não podemos permitir que uma minoria incivilizada manche a imagem da Espanha, um país pluralista e tolerante. A seleção nacional de futebol e seus torcedores não são exceção.

“Todo o meu apoio aos atletas que sofreram com isso e meus aplausos àqueles que, com respeito, nos ajudam a ser um país melhor”, completou o primeiro-ministro da Espanha, através das redes sociais.

Dentro de campo, o jovem atacante Lamine Yamal também demonstrou incômodo com a situação. Ao fim do primeiro tempo, o jogador deixou o gramado visivelmente irritado e seguiu direto para o vestiário. Posteriormente, utilizou as redes sociais para se posicionar.

“Sou muçulmano, Alhamdulillah. Ontem, no estádio, ouviu-se o cântico ‘quem não pula é muçulmano’. Sei que era dirigido ao time rival e não tinha nada a ver comigo, mas, como muçulmano, isso não deixa de ser uma falta de respeito e algo intolerável”, detonou a joia do Barcelona.

O atacante criticou o comportamento de parte da torcida e destacou que atitudes como essa não representam o conjunto dos fãs.

“Entendo que nem todos os torcedores são assim, mas, para aqueles que cantam essas coisas: usar uma religião como piada em um estádio faz vocês parecerem ignorantes e racistas”, detonou.

“O futebol é para se divertir e torcer, não para desrespeitar as pessoas por quem elas são ou no que acreditam. Dito isso, agradeço a todos que vieram nos apoiar e nos vemos na Copa do Mundo” — completou o camisa 10 do Barça.

O episódio reacende discussões sobre preconceito no futebol espanhol, que já vinha sendo alvo de críticas recentes por casos de racismo envolvendo jogadores, especialmente em partidas fora de casa.

 

 

 

Por Victoria Medeiros, da Redação da Jovem Pan News Manaus

Foto: AFP