Banco Master usou fundo que garante depósitos para sustentar modelo antes da quebra, diz dono à PF

Em depoimento, Daniel Vorcaro afirma que banco enfrentava falta de dinheiro em caixa e dependia do mecanismo que protege investidores quando uma instituição é liquidada

O dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, afirmou em depoimento à Polícia Federal (PF) que a instituição enfrentava falta de dinheiro em caixa para pagar compromissos e que o banco dependia do fundo que garante o dinheiro dos clientes quando uma instituição financeira quebra como base do seu modelo de funcionamento.

A declaração consta na transcrição do depoimento prestado em dezembro à delegada responsável pelo caso. Segundo Vorcaro, o problema não seria estrutural, mas uma crise momentânea de liquidez, e o banco teria conseguido honrar seus compromissos até o dia 17 de novembro, um dia antes de o Banco Central decretar a liquidação da instituição.

“Era uma situação de liquidez, não estrutural. O banco honrou seus compromissos até o dia 17”, afirmou Vorcaro à PF.

O empresário disse ainda que a crise se agravou após mudanças nas regras do fundo que protege investidores, o que teria afetado diretamente a forma como o banco captava recursos no mercado financeiro.

Como funciona esse fundo

O mecanismo citado no depoimento é um fundo privado mantido pelos próprios bancos, criado para proteger clientes e investidores em caso de quebra ou intervenção de uma instituição financeira.

Na prática, quando um banco é liquidado, esse fundo devolve o dinheiro aplicado pelos clientes, com limite de até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, por instituição. O objetivo é evitar prejuízos maiores aos correntistas e reduzir impactos no sistema financeiro.

No caso do Banco Master, o pagamento aos investidores deve ser o maior já realizado por esse fundo, estimado em cerca de R$ 41 bilhões, valor que será dividido entre clientes que tinham aplicações dentro do limite garantido.

Quando determinou a liquidação do banco, o Banco Central apontou justamente a falta de liquidez, além de violações graves às normas do sistema financeiro. Segundo Vorcaro, o banco operava com um modelo totalmente apoiado nesse mecanismo de garantia, o que, à época, estaria dentro das regras vigentes.

“Esse era o modelo de negócios. Essa era a regra do jogo”, declarou no depoimento.

Juros altos e desconfiança do mercado

O Banco Master ficou conhecido por oferecer investimentos com juros muito acima da média, especialmente em CDBs, atraindo clientes com promessas de retorno elevado. No mercado financeiro, ofertas com taxas muito superiores às praticadas por outros bancos costumam ser vistas como sinal de alerta, indicando dificuldade da instituição em captar dinheiro por meios tradicionais.

Além disso, grande parte dos recursos do banco estava aplicada em ativos de difícil conversão em dinheiro, como carteiras de crédito e precatórios, o que limitava a capacidade de gerar caixa no curto prazo — fator central para a crise.

Devolução do dinheiro aos clientes

Desde o dia 19, o fundo começou a ressarcir os clientes do Banco Master, respeitando o limite de R$ 250 mil por CPF ou CNPJ. Até a noite da última segunda-feira (19), cerca de 600 mil credores já haviam solicitado o pagamento.

O caso segue sob investigação e é considerado um dos episódios mais relevantes do sistema financeiro recente, tanto pelo volume envolvido quanto pelos impactos no modelo de proteção aos investidores.

 

Com Informações do G1

Por João Paulo Oliveira, da redação da Jovem Pan News Manaus