A confirmação de um caso de sarampo em uma bebê de 6 meses, em São Paulo, reacendeu o alerta das autoridades de saúde sobre a cobertura vacinal no Brasil. A criança não tinha idade para receber a vacina, prevista no calendário do Sistema Único de Saúde (SUS) a partir dos 12 meses, com reforço aos 15 meses.
O caso foi identificado após viagem da família à Bolívia, país que enfrenta surto da doença desde o ano passado. A situação reforça o risco de casos importados e a necessidade de manter altas taxas de imunização para evitar a circulação do vírus no território nacional.
Segundo o vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Renato Kfouri, a vacina contra o sarampo tem alta eficácia e atua tanto na prevenção da doença quanto na interrupção da transmissão. “A vacina do sarampo impede a infecção e a transmissão com alta efetividade. Além de prevenir que a pessoa contraia a doença, ela também evita que essa pessoa seja um portador e transmissor do vírus”, afirmou.
Dados do último ano mostram que 92,5% das crianças receberam a primeira dose da vacina, mas apenas 77,9% completaram o esquema no tempo recomendado. A diferença indica falhas na cobertura vacinal, consideradas determinantes para o risco de reintrodução da doença.
O esquema vacinal prevê duas doses para pessoas de 5 a 29 anos e uma dose para adultos entre 30 e 59 anos que não tenham comprovação de imunização. A vacina não é indicada para gestantes e pessoas imunocomprometidas.
Este é o primeiro caso de sarampo registrado no Brasil em 2025. Em 2024, foram confirmadas 38 infecções, a maioria com origem fora do país. Mesmo assim, o Brasil mantém o certificado de eliminação da doença, concedido pela Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) em 2024, por não haver transmissão sustentada.
O país já havia obtido esse reconhecimento em 2016, mas perdeu o status em 2019 após surtos iniciados por casos importados. A experiência anterior reforça o risco de queda na cobertura vacinal.
No cenário internacional, a situação é considerada de atenção. Em 2024, as Américas registraram 14.891 casos de sarampo em 14 países, com 29 mortes. Em 2025, até 5 de março, já foram confirmadas 7.145 infecções. Os maiores registros estão concentrados em países como México, Estados Unidos e Guatemala.
De acordo com especialistas, a maioria dos casos ocorre entre pessoas não vacinadas, principalmente crianças menores de 1 ano. O sarampo apresenta alta transmissibilidade e pode causar complicações como pneumonia e encefalite. Em média, há um óbito a cada mil casos, mas a taxa recente nas Américas tem superado esse padrão.
Os sintomas incluem febre alta e manchas vermelhas pelo corpo, além de tosse, coriza, irritação nos olhos e mal-estar. A infecção também pode comprometer o sistema imunológico por um período de três a seis meses, aumentando a vulnerabilidade a outras doenças.
A recomendação das autoridades de saúde é manter o calendário vacinal atualizado como principal medida para evitar novos surtos no país.
Com informações da Agência Brasil*
Por Haliandro Furtado, da redação da Jovem Pan News Manaus






