Caso Orelha choca o Brasil e expõe crueldade extrema contra animal

Quatro adolescentes são suspeitos de espancar o cão Orelha, que vivia há cerca de dez anos na Praia Brava em Santa Catarina
Foto: Reprodução

O crime praticado ao comunitário conhecido como Orelha, em Santa Catarina, ultrapassou os limites do noticiário local e se transformou em um caso de comoção nacional. A brutalidade do crime, atribuída a adolescentes, gerou indignação em todo o país e reacendeu o debate sobre violência contra animais, responsabilização legal e educação para a convivência ética com a vida.

Orelha era um cachorro conhecido e querido na comunidade. Circulava livremente pelas ruas, convivendo com outros cães parceiros, recebendo alimento, água e cuidado espontâneo dos moradores. os três animais tinham até três casinhas que foram construídas pelos moradores no local. A rotina tranquila foi interrompida por um ataque violento que deixou o animal com ferimentos gravíssimos. Diante da extensão das lesões e do sofrimento irreversível, a equipe veterinária optou pela eutanásia, como única forma de cessar a dor.

“Ele fazia parte do nosso dia a dia. Nunca fez mal a ninguém. A gente cuidava como podia. O que fizeram com ele foi uma covardia que ninguém aqui consegue esquecer”, relatou um morador da região, visivelmente abalado.

A apuração está sob responsabilidade da Delegacia de Proteção Animal. A delegada Mardjoli Valcareggi informou que os suspeitos já foram localizados e que a investigação entrou na fase de oitivas.

Os suspeitos já foram localizados e a investigação está na fase de oitivas”, afirmou. Ela também destacou a importância da participação da população nas denúncias, lembrando que “crimes contra animais costumam ser difíceis de apurar, pois eles não falam”, disse a delegada.

Brutalidade do crime gera comoção e mobiliza pedidos de punição

A violência extrema praticada contra o cachorro comunitário Orelha provocou forte reação popular e mobilização nacional por punição aos responsáveis. O caso também chegou ao Legislativo estadual, onde o deputado Mário Motta (PSD) defendeu a criação de uma estátua em homenagem ao animal, como forma de preservar sua memória e transformar a indignação coletiva em símbolo contra a crueldade. O parlamentar também divulgou um abaixo-assinado em apoio à iniciativa.

A participação de adolescentes no crime ampliou o debate sobre responsabilidade, medidas socioeducativas e ações preventivas nas escolas e comunidades. Especialistas alertam que a violência contra animais pode estar associada a outros comportamentos agressivos e não deve ser ignorada.

Nas redes sociais, manifestações, petições e campanhas passaram a cobrar apuração rigorosa, punição dentro da lei e o fortalecimento das políticas públicas de proteção animal. Entidades, ativistas, artistas e cidadãos comuns pressionam para que o episódio não seja tratado como mais um caso isolado de maus-tratos.

Pela legislação brasileira, atos infracionais cometidos por adolescentes são tratados conforme o Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei nº 8.069/1990), que prevê medidas socioeducativas, incluindo internação em casos de extrema gravidade. Já os crimes de maus-tratos contra animais estão previstos na Lei nº 9.605/1998, com penas ampliadas pela Lei nº 14.064/2020 (Lei Sansão), que estabelece reclusão de dois a cinco anos quando há morte ou lesões graves em cães e gatos.

Contexto e políticas de proteção animal no Amazonas

Recentemente, o Amazonas passou a contar com um hospital veterinário público, voltado ao atendimento de animais de famílias de baixa renda e de protetores independentes. O estado também possui canais específicos para denúncia de maus-tratos.

Além da atuação de organizações da sociedade civil, como a ONG Anjos de Rua, que trabalha no resgate e cuidado de animais em situação de abandono. Casos de violência contra animais podem ser denunciados às autoridades policiais e aos órgãos de proteção animal, por meio dos canais oficiais de atendimento e dos telefones disponibilizados pelos órgãos competentes.


Como informações do O Globo*

Por Haliandro Furtado, da redação da Jovem Pan News Manaus