Casos de HIV e sífilis mantêm alerta da saúde durante o Carnaval em Manaus

Período de festas intensifica ações de prevenção, testagem e acesso a métodos gratuitos contra ISTs na capital

O período de Carnaval acende o alerta dos serviços de saúde em Manaus para o risco de transmissão das Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs). Ensaios de escolas de samba, blocos e outros eventos carnavalescos costumam estar associados ao maior consumo de álcool e outras drogas, fatores que podem reduzir o uso de métodos de proteção.

Os dados mais recentes reforçam a preocupação. No ano passado, Manaus registrou 1.528 novos casos de HIV, 3.368 casos de sífilis adquirida em adultos, 2.344 registros de sífilis em gestantes e 361 casos de sífilis congênita, quando a infecção é transmitida da mãe para o bebê durante a gestação. Também foram contabilizados 513 casos de hepatites virais na capital.

De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde de Manaus, as ISTs podem evoluir de forma grave quando não há diagnóstico precoce ou quando o tratamento é interrompido.

“O Carnaval é uma festa popular importante, mas é possível aproveitar adotando medidas simples de autocuidado. A rede municipal dispõe de serviços gratuitos que reduzem significativamente o risco de transmissão das ISTs”, afirma a chefe do Núcleo de Controle de HIV/Aids, ISTs e Hepatites Virais da Semsa, Thayná Saraiva.

Prevenção e acesso facilitado

Entre as principais medidas adotadas está a distribuição de preservativos em todas as unidades de saúde, sem necessidade de cadastro ou apresentação de documentos. Estão disponíveis preservativos externos e internos — que podem ser colocados algumas horas antes da relação sexual — além de gel lubrificante, que ajuda a reduzir o risco de rompimento da camisinha.

“Homens e mulheres podem tomar a iniciativa do uso do preservativo, que previne contra todas as ISTs e ainda reduz o risco de gravidez não planejada. Não há restrição de quantidade e os dispensadores ficam em áreas de fácil acesso”, explica Thayná.

A rede municipal também atua com a chamada Prevenção Combinada, que reúne diferentes estratégias. Entre elas estão a vacinação contra a hepatite B, disponível nas salas de vacina para quem ainda não foi imunizado; a Profilaxia Pré-Exposição ao HIV (PrEP), ofertada em 15 unidades de saúde, indicada para pessoas com maior risco de infecção; e a Profilaxia Pós-Exposição (PEP), disponível em 11 unidades, indicada em situações de urgência.

“A PEP deve ser iniciada em até 72 horas após uma possível exposição ao HIV, como em casos de relação sexual sem preservativo ou rompimento da camisinha”, orienta a gestora.

Testagem rápida

Outra frente de atuação é a ampliação da testagem rápida para HIV, sífilis e hepatites B e C em cerca de 200 unidades de saúde da capital. O exame é feito com uma pequena amostra de sangue retirada do dedo e o resultado fica pronto em aproximadamente 30 minutos, o que facilita o diagnóstico precoce e o início do tratamento.

“O HIV não tem cura, mas tem tratamento. Quando a infecção é identificada cedo e o tratamento é iniciado corretamente, a pessoa pode ter melhor qualidade de vida e também deixa de transmitir o vírus”, destaca Thayná.

A orientação é que os métodos de prevenção sejam utilizados de forma combinada. Apesar de a PrEP e a PEP prevenirem o HIV e existir vacina para hepatite B, outras ISTs, como a sífilis e a hepatite C, não contam com vacinas ou profilaxias específicas, o que reforça a importância do uso do preservativo e da testagem regular.

A relação das unidades com oferta de PrEP, PEP e salas de vacina pode ser consultada no site da Semsa.

 

Com Informações da Secretaria Municipal de Saúde de Manaus

Por João Paulo Oliveira, da redação da Jovem Pan News Manaus