China suspende exportações de diesel e gasolina após fechamento do Estreito de Ormuz

Medida ocorre após decisão do Irã e amplia preocupações sobre o fornecimento global de petróleo

A China determinou a suspensão das exportações de diesel e gasolina após o Irã anunciar o fechamento do Estreito de Ormuz. A decisão ocorre em meio à escalada da guerra no Oriente Médio e aumenta a preocupação com o fornecimento global de energia.

O fechamento da rota marítima foi anunciado na terça-feira. No mesmo dia, o governo chinês condenou ataques realizados por Estados Unidos e Israel contra o Irã e declarou apoio ao país. O Estreito de Ormuz é uma das principais rotas mundiais de transporte de petróleo.

Governo chinês prioriza abastecimento interno

Segundo reportagem da Bloomberg, autoridades da Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma da China instruíram as maiores refinarias do país a suspender imediatamente as exportações de combustíveis. A orientação foi transmitida verbalmente durante reunião com executivos do setor.

O objetivo da medida é garantir o abastecimento interno diante das interrupções no fluxo de petróleo do Golfo Pérsico. A China importa mais da metade do petróleo da região e os preços internacionais já registram aumento estimado entre 15% e 20%.

Entre as refinarias envolvidas na medida estão empresas estatais como Sinopec, PetroChina e CNOOC. Juntas, elas respondem por cerca de 80% da capacidade de refino do país e das importações chinesas de petróleo bruto do Golfo.

Refinarias independentes menores não foram incluídas na diretiva, já que o governo concentrou a medida nas maiores empresas para formação de estoques domésticos.

Conflito no Golfo afeta fluxo de petróleo

A crise começou após ataques conjuntos de Estados Unidos e Israel contra o Irã em 28 de fevereiro. Desde então, o transporte de petróleo na região enfrenta interrupções.

Cerca de metade das importações marítimas de petróleo da China provenientes de países do Golfo, como Arábia Saudita, Iraque e Emirados Árabes Unidos, foi interrompida.

O fornecimento iraniano, que representava aproximadamente 13% das importações chinesas em 2025, foi totalmente suspenso. A interrupção coloca em risco cerca de 42 milhões de barris armazenados em plataformas flutuantes.

O tráfego de petroleiros diminuiu e os custos de transporte aumentaram. Os fretes para grandes navios subiram entre três e cinco vezes e seguros contra riscos de guerra foram suspensos. Parte das cargas passou a ser desviada pelo continente africano, o que pode aumentar o prazo de entrega em até três semanas.

Reservas estratégicas e ajustes na oferta

A China possui reservas estratégicas estimadas em cerca de 900 milhões de barris de petróleo, volume suficiente para aproximadamente três meses de consumo. Estoques acumulados antes do conflito e entregas já programadas devem garantir margem de segurança de quatro a seis semanas.

Diante da crise, o país reduziu o ritmo de operação das refinarias, interrompeu exportações de combustíveis e ampliou a compra de petróleo da Rússia. Refinarias menores foram mais afetadas pelo aumento dos preços.

Preços de combustíveis podem subir no mercado internacional

Analistas apontam que a suspensão das exportações chinesas, somada às interrupções no Golfo, pode pressionar os preços globais de combustíveis.

O diesel tende a ser o produto mais afetado, já que grande parte do combustível refinado transportado no comércio internacional passa pelo Estreito de Ormuz.

Projeções indicam aumento de 20% a 30% no preço do diesel na Europa e na Ásia, enquanto contratos futuros já registram alta superior a 23%. A gasolina pode subir entre 10% e 20% devido a custos logísticos e restrições na oferta.

Caso a interrupção no transporte de petróleo dure mais de um mês, analistas estimam que o preço do barril pode ultrapassar US$ 100, com aumento de até 50% nos combustíveis.

Navios indianos ficam retidos na região

A crise também afeta o transporte marítimo internacional. Pelo menos 37 navios com bandeira da Índia permanecem retidos na região do Estreito de Ormuz.

Segundo autoridades indianas, 1.109 tripulantes estão a bordo dessas embarcações. Parte dos navios aguarda carregamento e outros já estão com carga completa no Golfo Pérsico e no Golfo de Omã.

A situação gera preocupação com a segurança das tripulações e possíveis impactos comerciais.


 

Com informações do News18*

Por Haliandro Furtado, da redação da Jovem Pan News Manaus