Contadoras em Movimento: Da Teoria à prática, o novo ciclo da Contabilidade Feminina no Amazonas

Comunidade criada por profissionais busca reduzir insegurança de iniciantes e aproximar prática e mercado na contabilidade moderna

O avanço das transformações digitais, as mudanças na legislação tributária e a pressão por atualização constante têm alterado a rotina da contabilidade no Brasil e no Amazonas. Nesse cenário, a insegurança entre profissionais em início de carreira e a necessidade de adaptação ao mercado deram origem ao movimento “Contadoras em Movimento”, criado em Manaus com foco em formação prática, troca de experiências e fortalecimento profissional feminino na área contábil.

A iniciativa reúne contadoras com trajetórias distintas e propõe um espaço de apoio técnico e orientação para profissionais que estão ingressando no mercado ou buscando reposicionamento diante das novas exigências da profissão.

Durante entrevista exclusiva ao programa Minuto a Minuto, da Jovem Pan News Manaus, as idealizadoras do movimento destacaram que a proposta surgiu da vivência direta com as dificuldades enfrentadas na prática contábil e da ausência de suporte estruturado para quem sai da formação acadêmica.

É uma comunidade de contadoras. A gente criou esse espaço pensando no que vivemos lá atrás, quando também enfrentamos dificuldades para conseguir clientes e nos inserir no mercado”, afirmou Ivanilde ao explicar a origem da iniciativa.

Mudanças no mercado e impacto na profissão contábil

As profissionais apontam que o setor contábil passa por um processo acelerado de transformação, impulsionado por mudanças regulatórias, digitalização de processos e novas ferramentas tecnológicas.

Durante a conversa, foi destacado que o contador contemporâneo precisa ir além das rotinas operacionais e atuar de forma mais estratégica junto às empresas.

“Uma das maiores mudanças é a forma como os empresários precisam se organizar, principalmente com a reforma tributária. Quem não estiver com o financeiro estruturado tende a enfrentar dificuldades”, explicou Rosimeiry.

A avaliação é de que a atualização constante deixou de ser uma opção e passou a ser requisito básico para permanência no mercado.

Não é só legislação. Estamos em uma fase de modernização. O contador que não se atualizar vai ficar para trás”, completou Ivanilde do grupo.

Insegurança profissional e transição da faculdade para o mercado

Um dos pontos centrais do movimento é o acolhimento de recém-formadas que encontram dificuldades ao iniciar a atuação prática.

Segundo as organizadoras, muitas profissionais dominam a teoria, mas não se sentem preparadas para lidar com clientes, sistemas e rotinas reais de escritório.

Tem muitas contadoras que saem da faculdade e não têm segurança para atender clientes ou abrir um escritório. A gente já passou por isso e sabe como é esse início”, relatou Rosimeiry .

O movimento também atua na orientação sobre posicionamento profissional, precificação de serviços e relacionamento com clientes, reduzindo a distância entre formação acadêmica e prática de mercado.

Rede de apoio, troca de experiências e fortalecimento coletivo

Além da capacitação técnica, o grupo funciona como uma rede de suporte entre profissionais. A proposta inclui encontros presenciais, reuniões e acompanhamento de casos práticos do cotidiano contábil.

A experiência compartilhada entre as participantes é apontada como um dos principais diferenciais da iniciativa.

Quando a gente começou, não tinha acompanhamento. Hoje, conseguimos orientar desde a abertura de empresa até a forma de atender o cliente. Isso dá mais segurança para quem está começando”, foi destacado durante a entrevista.

O movimento também já registra os primeiros resultados, com participantes que conseguiram inserção no mercado após orientação prática dentro da comunidade.

MEI, reforma tributária e novas demandas do setor

Entre os temas mais recorrentes discutidos no grupo estão a formalização de MEIs, obrigações fiscais e os impactos das mudanças tributárias no país.

As profissionais chamam atenção para o crescimento de microempreendedores que iniciam atividades sem orientação adequada e acabam enfrentando problemas fiscais no futuro.

“Muitas pessoas abrem MEI sem entender as obrigações. Depois descobrem dívidas ou bloqueios por falta de acompanhamento. A contabilidade entra justamente para evitar isso”, explicou Ivanilde.

O grupo também debate os efeitos da reforma tributária e a necessidade de adaptação tanto de empresas quanto de profissionais da área.

Formação contínua e atualização como base da profissão

Outro ponto reforçado pelas integrantes é a necessidade de atualização permanente. Para elas, a contabilidade contemporânea exige interpretação técnica, domínio de sistemas e capacidade de comunicação com o cliente.

O contador precisa interpretar os números e traduzir isso para o empresário de forma clara. Não basta mais só calcular”, afirmou Rosimeiry.

Elas também destacam que a rotina do profissional contábil exige estudo contínuo, principalmente diante das mudanças frequentes na legislação.

Expansão e próximos passos do movimento

Com poucos meses de atuação, o “Contadoras em Movimento” já iniciou encontros presenciais e atividades de integração profissional. A comunidade também mantém atuação online, permitindo participação de profissionais do interior do Amazonas.

O próximo encontro está previsto para ocorrer em Manaus, com abertura para novas integrantes e ampliação da rede de apoio.

A proposta, segundo as organizadoras, é transformar o movimento em uma referência regional de formação prática e fortalecimento da contabilidade feminina, ampliando o acesso a conhecimento técnico e inserção no mercado.

Por Ismael Oliveira – Redação Jovem Pan News Manaus