Convívio com animais e educação são apontados como formas de prevenir a violência

ONGs e iniciativas públicas defendem contato supervisionado e ações educativas para romper ciclos de agressão
Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

A violência contra animais voltou ao centro do debate nacional após o espancamento do cão comunitário Orelha por quatro adolescentes em Florianópolis (SC). O caso reacendeu discussões sobre punição, banalização da violência, prevenção, ressocialização e medidas educativas voltadas a crianças e adolescentes.

Enquanto o episódio é apurado pela Polícia Civil, organizações da sociedade civil e gestores públicos defendem que o estímulo ao convívio responsável com animais e ações educativas podem ajudar a prevenir e interromper ciclos de violência. A abordagem é associada à chamada Teoria do Elo, que aponta a violência contra animais como possível indicador de outras agressões, especialmente contra grupos vulneráveis.

Educação e prevenção da violência

O Instituto Ampara Animal, que atua há 15 anos em ações de cuidado, apoio a abrigos e debates públicos, prepara o lançamento da campanha “Quebre o Elo”. A iniciativa chama atenção para a relação entre violência contra animais e outras formas de agressão vivenciadas ou praticadas pelos autores.

Segundo a diretora de relações institucionais da Ampara, Rosângela Gerbara, a violência contra animais pode indicar risco de agressões contra crianças, mulheres e idosos. Para a organização, a educação é um dos principais caminhos para a prevenção.

A proposta defendida pela instituição é a chamada educação humanitária em bem-estar animal, voltada principalmente a crianças e adolescentes. A abordagem busca romper uma visão antropocêntrica e incentivar empatia, respeito e compreensão das necessidades dos animais.

Empatia e contato supervisionado

De acordo com Rosângela, a aproximação entre crianças e animais deve ser gradual e orientada, com foco na gentileza, no respeito ao comportamento de cada espécie e no contato com ambientes naturais. A interação, segundo ela, contribui para o desenvolvimento da empatia e para a redução de comportamentos violentos e intolerantes.

Outra dimensão destacada é a desconstrução da ideia do animal como objeto. A voluntária Viviane Pancheri, que atua há 15 anos na ONG Toca Segura, no Distrito Federal e em Goiás, afirma que o reconhecimento dos animais como seres sencientes é parte central do trabalho educativo desenvolvido pela entidade.

A ONG cuida de cerca de 400 animais e mantém ações educativas em escolas e no próprio abrigo, com a participação de famílias, crianças e adolescentes em atividades supervisionadas.

Experiências práticas em abrigos

No Toca Segura, as atividades incluem convivência orientada com os cães, participação em rotinas de cuidado e ações como passeios supervisionados. Segundo Viviane, esses momentos ajudam tanto na socialização dos animais quanto na formação de valores entre os participantes.

Alguns animais atendidos pela ONG passaram por situações de abandono e violência, o que exige cuidado para evitar estresse e novas agressões. As interações são planejadas para proteger os animais e acolher as crianças.

Entre as estratégias adotadas estão eventos como os “domingos de passeio”, em que voluntários levam os cães para caminhadas breves, favorecendo a adaptação ao convívio humano e aumentando as chances de adoção. Crianças e adolescentes que participam dessas ações desenvolvem vínculo e senso de responsabilidade.

Responsabilidade e exemplo

Viviane destaca que o exemplo é um fator central no processo educativo. Atividades simples, como alimentar animais comunitários ou auxiliar em feiras de adoção, são apontadas como formas de ensinar cuidado e responsabilidade de maneira supervisionada.

Segundo ela, a participação orientada ajuda crianças e adolescentes a compreenderem a importância da rotina, do respeito e da atenção às necessidades dos animais, contribuindo para a formação de comportamentos menos violentos e mais solidários.

 

 

Com informações da Agência Brasil*

Por Haliandro Furtado, da redação da Jovem Pan News Manaus