Um novo estudo científico indica que a depressão entre idosos brasileiros pode estar significativamente subdiagnosticada, com muitos casos de sofrimento não identificados pelos serviços de saúde. A pesquisa publicada pela Agência Bori, com base em dados do ELSI-Brasil (2019–2021) e publicada na Epidemiologia e Serviços de Saúde, revela que cerca de 15,6% dos idosos relataram sintomas depressivos, mas apenas 12,2% disseram ter recebido um diagnóstico médico formal — e apenas 8,1% estavam em tratamento medicamentoso.
Os pesquisadores apontam que muitos idosos sofrem em silêncio ou enfrentam dificuldades de acesso à atenção primária, o que contribui para que 62,7% dos que sentem depressão nunca tenham sido diagnosticados por um médico.
A falta de diálogo dentro da família e o ambiente social também aparecem como fatores que agravam o sofrimento na terceira idade. A solidão — muitas vezes derivada de perdas afetivas, afastamento dos filhos ou ausência de interação social — está fortemente associada à depressão nessa faixa etária, reforçando a necessidade de atenção familiar e comunitária como parte da prevenção e do cuidado. Estudos prévios já mostraram que idosos que relatam estar sozinhos apresentam taxas de depressão muito maiores, apontando a importância de redes de apoio social e familiar para a saúde mental nessa fase da vida.
Destaques da pesquisa
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15,6% dos idosos relataram sintomas depressivos, mas menos da metade recebeu diagnóstico médico.
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Mulheres, pessoas com menor escolaridade e aquelas que não praticam atividade física tiveram maior probabilidade de relatar sintomas.
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O estudo reforça que a depressão não é parte natural do envelhecimento e que sua detecção exige escuta ativa e acolhimento na Atenção Primária.
Inserção regional e recorte por Estado
Dados mais amplos de pesquisas nacionais mostram que a prevalência de sintomas depressivos entre idosos no Brasil gira em torno de 10% a 13%, variando por região, estado e características sociodemográficas.
Embora estudos nacionais como a Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) indiquem que um em cada dez idosos apresenta sintomas depressivos, há diferenças regionais importantes: em algumas áreas urbanas, a prevalência chega a 34% entre adultos mais velhos, dependendo de fatores ambientais e sociais.
A Região Norte, por exemplo, tem uma população mais “jovem” em comparação com o Sudeste, segundo dados demográficos recentes, o que pode influenciar diretamente a distribuição de idosos e os indicadores de saúde mental nessa região. Mesmo assim, os idosos do Norte enfrentam desafios similares aos de outras regiões, incluindo menor oferta de serviços de saúde mental e dificuldades de acesso à atenção primária. Isso tende a contribuir para um subdiagnóstico mais acentuado em áreas com menor densidade de profissionais qualificados e maior isolamento social.
Especialistas alertam que a combinação de isolamento social, falta de diálogo familiar e barreiras de acesso à saúde contribuem para que muitos idosos não recebam apoio adequado, elevando riscos de sofrimento mental não tratado.
A pesquisa da Bori destaca que a depressão em idosos é uma questão de saúde pública que requer atenção integrada da família, comunidade e serviços de saúde, com foco em acolhimento, escuta ativa e estratégias de detecção precoce para reduzir o sofrimento silencioso dessa população.
Fonte: Agência Bori (dados da pesquisa publicada na Epidemiologia e Serviços de Saúde – RESS)*
Por Tatiana Sobreira, da redação da Jovem Pan News Manaus






