Celebrado em 7 de abril, o Dia do Jornalista marca o papel de profissionais responsáveis por apurar, checar e divulgar informações de interesse público. Em um cenário de transformações tecnológicas, o exercício da profissão passa por mudanças constantes, sem alterar princípios como verificação de fatos, uso de fontes confiáveis e responsabilidade na divulgação.
A data foi instituída pela Associação Brasileira de Imprensa em homenagem ao médico e jornalista Giovanni Battista Libero Badaró, morto em 1830, em São Paulo. O caso teve repercussão política e contribuiu para o processo que resultou na abdicação de Dom Pedro I em 1831. A oficialização ocorreu em 1931, cem anos após o episódio.
Ao refletir sobre o significado da data, o jornalista Jackson Nascimento, com 41 anos de profissão, destaca o reconhecimento da carreira e o papel social do jornalismo diante do avanço da desinformação.
“É uma data importante, porque reconhece o profissionalismo que desenvolvemos. A sociedade precisa compreender o nosso papel, que é fundamental na construção de uma sociedade informada. Diante do aumento das fake news e de informações incoerentes, o jornalismo se torna cada vez mais necessário para garantir conteúdo que esteja alinhado com a verdade”, disse Jackson Nascimento.
Ainda sobre as mudanças no exercício da profissão, ele aponta a influência das novas tecnologias no cotidiano das redações e na forma de produzir conteúdo.
“A notícia está plural, você tem a tecnologia a seu favor e numa era digital, por exemplo, você pode filmar, você pode narrar, você pode expor sua opinião e tudo isso faz parte dessa era, mas o jornalista sempre vai ter aquela base, aquela raiz e aquele compromisso, não só de narrar, mas também de divulgar a verdade”, enfatizou.
Transformação digital e novas rotinas
O avanço das tecnologias alterou a forma de produzir e distribuir conteúdo jornalístico. Redações passaram a operar em plataformas digitais, com produção voltada para sites, redes sociais, aplicativos e transmissões ao vivo.
O profissional da comunicação passou a lidar com ferramentas de edição, análise de dados, monitoramento de audiência e verificação de informações em tempo real. A rotina inclui produção multimídia, com textos, vídeos, áudios e gráficos integrados.
A circulação de informações em grande volume ampliou o desafio de combater conteúdos falsos. Nesse contexto, a checagem ganhou centralidade no trabalho jornalístico.
Ao comentar esse cenário, a jornalista e radialista Tatiana Sobreira, que conta com mais de 35 anos de atuação na área, detalha a importância da verificação rigorosa das informações.
“O papel da checagem é fundamental para a construção do próprio jornalista. Fake news sempre vão existir, então cabe ao jornalista verificar a fonte de forma direta, ou seja, buscar a verdade, ir além dela. Checar uma vez, checar duas, checar três vezes, isso se aprende na faculdade e caminha junto com a ética. Inventar histórias nunca foi papel do jornalismo, mas sim reportar os fatos. Hoje, essa atenção precisa ser redobrada, inclusive para a construção do próprio nome do profissional. Quem faz um bom trabalho se perpetua, essa é a máxima e sempre vai permanecer”, destacou Tatiana Sobreira.
Compromisso com a informação
Mesmo com mudanças tecnológicas, a base do jornalismo permanece ligada à apuração rigorosa e ao interesse público. O profissional atua como mediador entre fatos e sociedade, organizando e contextualizando acontecimentos.
Ao abordar esse compromisso, o jornalista Ismael Oliveira, um dos nomes da nova safra de jornalistas do Amazonas, reforça que a coerência seja o principal pilar na busca da verdade no exercício da profissão.
“O compromisso com a verdade fundamenta a nossa profissão e por este motivo nós conseguimos então direcionar todo o nosso agir jornalístico em vistas da sua única função informar com precisão e com clareza para que todos aqueles que tenham contato com a nossa nossa nosso texto nosso nossas reportagens sejam verdadeiramente alcançados por aquilo que nos fundamenta a verdade dos fatos”, afirmou Ismael Oliveira.
Pressões e desafios na profissão
A atuação jornalística ocorre em um ambiente de pressão por rapidez, alcance e atualização constante. A exigência por produtividade convive com a necessidade de precisão e responsabilidade.
Além disso, o ambiente digital e as multiplataformas ampliaram a exposição dos profissionais, com maior interação com o público e maior circulação de críticas e ataques.
Violência contra jornalistas
Nos últimos anos, episódios de violência contra jornalistas têm sido registrados em diferentes contextos, incluindo coberturas de rua, investigações e atuação em ambientes digitais. Casos envolvem ameaças, agressões e tentativas de intimidação.
Ao tratar desse cenário, o jornalista João Paulo Oliveira, mais um dos novos nomes do jornalismo baré, relata a percepção sobre os riscos enfrentados pela categoria na região.
“O Dia do Jornalista, para mim, vai muito além de uma comemoração. É uma data que nos faz refletir sobre os riscos reais da profissão. Infelizmente, ainda vemos casos de ameaças e agressões, numa tentativa clara de intimidar o nosso trabalho. Quando um jornalista é atacado, não é apenas o profissional que sofre, mas toda a sociedade, que perde o direito à informação. Por isso, mais do que nunca, é fundamental defender e valorizar a nossa atividade, especialmente no mundo em que vivemos hoje, onde a informação circula de forma ampla, mas também pode gerar reações que acabam se voltando contra quem tem a responsabilidade de informar”, disse João Paulo Oliveira.
Papel social
Mesmo diante dos desafios, o jornalismo segue como atividade central na circulação de informações com credibilidade. A adaptação às tecnologias amplia o alcance das notícias, enquanto os princípios da profissão orientam a atuação em diferentes plataformas.
O Dia do Jornalista reforça o reconhecimento ao trabalho de profissionais que atuam na cobertura de fatos e na produção de conteúdo de interesse público.
Por Haliandro Furtado, da redação da Jovem Pan News Manaus










