Nesta quinta-feira, 26 de fevereiro, Dia do Comediante, Manaus recebeu mais do que sorrisos: recebeu arte, improviso e poesia em forma de palhaçaria. O palhaço Feupudo, alter ego do ator e contador de histórias Marcos Efraim, foi o centro das atenções na entrevista concedida ao programa Minuto a Minuto da Jovem Pan News Manaus, apresentado pelo jornalista Caubi Cerquinho, trazendo à tona memórias, inspirações e o universo sensível e divertido de seu espetáculo solo, “Sarau do Feupudo”, apresentado ontem, no Teatro Amazonas.
O espetáculo, que já percorreu diversas capitais brasileiras como Belém, Macapá, Boa Vista, Cuiabá e São Luís, retorna à capital amazonense com entrada gratuita e classificação livre, oferecendo ao público uma experiência poética, sensível e interativa. Em Manaus, Sarau do Feupudo integrou a programação do Festival de Teatro da Amazônia, conquistando prêmios de Melhor Ator e Melhor Espetáculo na Mostra Competitiva Jurupari Infâncias 2025.
Da curiosidade ao palco
Marcos conta que seu encontro com a palhaçaria foi, inicialmente, um acaso.
Eu não sou daqui de Manaus, sou paraense, lá de Porto Trombetas, no interior do Pará. Cheguei aqui em 2005, tinha 15 anos, nem pensava em ser palhaço”, lembra.
A primeira experiência surgiu durante um trabalho voluntário com crianças no Nordeste
Coloquei o nariz, a peruca e fui interagir com as crianças… e aí os adultos começaram a rir também. Fiquei pensando: ‘Nossa, que legal, fazer as pessoas rirem!”, destacou.
A curiosidade inicial deu lugar à prática: estudou palhaçaria pelo YouTube, depois formalizou o aprendizado em oficinas e cursos presenciais, mergulhando em técnicas de improviso, ressignificação de objetos e linguagem corporal. Hoje, como acadêmico de Teatro da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), Marcos reforça que ser palhaço vai muito além do nariz vermelho e das trapalhadas: é estudo, poesia e conexão com o público.
Feupuudo: o nome que virou marca
Sobre a escolha do nome artístico, Marcos diverte-se ao contar:
Quando ele veio com o nome Feupuudo, eu fiquei, meu Deus, que nome horrível! Hoje em dia, é incrível. Temos camisetas, bonés, tudo da marca Feupuudo”, disse.
O personagem se distingue por não usar fala verbal, comunicando-se por gestos, expressões corporais e até Libras, criando um espetáculo de palhaçaria contemporânea que mistura humor físico, improviso e poesia.
Palhaçaria além das piadas
Ao contrário da imagem popular do palhaço que apenas conta piadas ou cai de forma caricata, Feupuudo propõe outra abordagem.
É só eu em cena, sozinho, mas existe uma voz, que é o narrador, meu amigo AJ Takashi, que conduz o espetáculo. Ele não fala, mas a história acontece através do corpo, gestos e poética”, afirmou.
Marcos destaca referências clássicas e contemporâneas, de Charlie Chaplin e Buster Keaton aos palhaços russos Mikhail Usov e Slava, mostrando que a comicidade pode transcender a palavra falada.
Humor e sobrevivência
O artista também comenta sobre a viabilidade financeira da carreira.
Sou solteiro, não tenho filhos, então consigo sobreviver. Tenho amigos palhaços com família que também conseguem se manter. É possível sim”, disse.
Ele ressalta que o diferencial de Feupudo é a linguagem poética, que dialoga com o público de forma sensível e lúdica, diferente da comédia verbal tradicional.
Arte que circula e transforma
Marcos Efraim leva sua palhaçaria para além do palco, com projetos em abrigos e espaços comunitários.
Montamos cenários, levamos o espetáculo para crianças em situação de vulnerabilidade. É um trabalho lindo, que mostra que a arte não precisa de grandes estruturas para tocar o público”.
Com cinco anos de trajetória, Sarau do Feupudo retorna a Manaus celebrando não apenas a arte do riso, mas também a força da cultura como experiência sensível e coletiva. Nesta quinta-feira, Dia do Comediante, o personagem de Marcos Efraim nos lembra que o humor é também poesia, expressão e, sobretudo, encontro humano.
Por Ismael Oliveira – Redação Jovem Pan News Manaus







