Dólar cai ao menor nível desde 2024 e Bolsa brasileira flerta com novo recorde

Moeda recua 1,41% após inflação abaixo do esperado; mercado acompanha decisões de juros no Brasil e nos EUA

O dólar encerrou o pregão desta terça-feira, 27, em queda de 1,41%, cotado a R$ 5,20, no menor patamar desde maio de 2024. No mesmo dia, o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, avançou na reta final e caminhou para um novo recorde de fechamento, próximo dos 182 mil pontos.

No cenário doméstico, o principal fator foi a divulgação do IPCA-15 de janeiro, que mostrou alta de 0,20%, levemente abaixo das projeções do mercado (0,22%), segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Em 12 meses, a inflação acumulada ficou em 4,50%.

O resultado reforçou a leitura de que a inflação segue em desaceleração, em meio às expectativas para a chamada “Superquarta”, quando ocorrem as decisões de juros no Brasil e nos Estados Unidos. A previsão do mercado é de manutenção das taxas tanto pelo Comitê de Política Monetária quanto pelo Federal Reserve.

Inflação e juros no radar

Os maiores aumentos do IPCA-15 vieram de saúde e cuidados pessoais e comunicação, enquanto transportes ajudaram a conter o índice, puxados pela queda nas passagens aéreas e por medidas como tarifa zero em algumas cidades. A alimentação voltou a subir, com destaque para tomate, batata, frutas e carnes, enquanto leite, arroz e café recuaram.

A divulgação do dado reforçou a expectativa de que o Copom mantenha os juros nesta reunião e avalie iniciar cortes ao longo de 2026. De acordo com o Boletim Focus, a Selic pode encerrar 2026 em 12,25% ao ano, ante o patamar atual de 15%.

Exterior: cautela e acordos

No exterior, investidores acompanharam com cautela as sinalizações do presidente Donald Trump sobre a sucessão no comando do Fed e o risco de pressões políticas sobre a política monetária americana. Também voltou ao radar o risco de paralisação do governo dos EUA por impasses no Orçamento.

Ao mesmo tempo, o mercado reagiu ao acordo comercial entre a União Europeia e a Índia, firmado após duas décadas de negociações, que cria uma das maiores áreas de livre comércio do mundo, com potencial para reduzir tarifas e ampliar o fluxo de negócios entre as regiões.

Bolsas pelo mundo

Em Wall Street, os índices futuros indicavam abertura mista, com melhor desempenho para Nasdaq e S&P 500. Na Europa, a maioria das bolsas fechou em alta, enquanto na Ásia os mercados encerraram o dia majoritariamente positivos, puxados por ações de tecnologia e sinais de melhora nos lucros corporativos.

Com o dólar em queda, a Bolsa doméstica em alta e a inflação abaixo do esperado, o mercado brasileiro encerrou o dia em clima mais favorável, ainda atento às decisões de juros e aos desdobramentos do cenário internacional.

 

Com Informações do G1

Por João Paulo Oliveira, da redação da Jovem Pan News Manaus