A educação financeira vai além de orientações sobre gastar menos ou poupar mais e ocupa papel central no funcionamento da economia de um país. No Brasil, a baixa compreensão sobre temas financeiros básicos influencia diretamente o nível de endividamento das famílias, o comportamento de consumo e até a qualidade do debate público sobre políticas econômicas.
De acordo com a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico, educação financeira é definida como a combinação de conhecimentos, habilidades, atitudes e comportamentos que permitem decisões financeiras informadas e promovem o bem-estar econômico. O conceito envolve entender orçamento, riscos, retorno, planejamento de curto e longo prazo e avaliação de produtos financeiros.
Dados da própria OCDE mostram que, em 2022, cerca de 45% dos estudantes brasileiros de 15 anos não atingiram o nível básico de proficiência em educação financeira na avaliação do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa). A média entre os países da OCDE foi de 18%. O resultado indica que uma parcela significativa dos jovens brasileiros não domina conceitos essenciais como juros, crédito e planejamento financeiro.
Especialistas apontam que esse déficit de conhecimento tem reflexos diretos na vida cotidiana. No Brasil, quase metade das famílias está endividada, muitas vezes sem compreender plenamente os riscos associados a empréstimos de alto custo, crédito rotativo ou apostas financeiras.
Obstáculos à expansão do tema
A educação financeira passou a integrar a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) como tema transversal, mas ainda enfrenta entraves para aplicação efetiva. Entre os principais desafios estão a sobrecarga do currículo escolar, a falta de formação específica de professores e a abordagem fragmentada do conteúdo, frequentemente dissociada da realidade dos estudantes.
Essas dificuldades não são exclusivas do Brasil. Países como o Reino Unido também enfrentam obstáculos semelhantes, com oferta irregular do tema e dependência de iniciativas locais.
Impactos econômicos e sociais
Estudos internacionais associam maior letramento financeiro à redução do superendividamento, menor uso de crédito informal e maior participação no sistema financeiro formal. A educação financeira também contribui para decisões públicas mais qualificadas, ao ampliar a compreensão da população sobre temas como inflação, juros e orçamento público.
Outro efeito relevante está no empreendedorismo. Negócios conduzidos por pessoas com maior domínio financeiro tendem a apresentar melhor planejamento de caixa, controle de custos e sustentabilidade no longo prazo, fatores decisivos para geração de emprego e dinamização das economias locais.
Relação com desigualdade social
Pesquisas indicam que níveis mais altos de educação financeira costumam estar associados a maior renda e escolaridade. No Brasil, a dificuldade de acesso a esse conhecimento contribui para a manutenção de desigualdades, especialmente entre jovens de baixa renda. A ampliação do ensino financeiro em escolas públicas é apontada como ferramenta para reduzir esse desequilíbrio.
Educação financeira no cotidiano
Momentos de maior consumo, como períodos festivos, tornam mais visível a importância do planejamento financeiro. Gastos com viagens, lazer, alimentação e transporte exigem decisões que envolvem orçamento, comparação de preços e definição de prioridades — competências diretamente ligadas à educação financeira.
Especialistas avaliam que tratar o tema como parte da formação cidadã é fundamental para preparar a população para uma economia cada vez mais complexa e digitalizada.
Com Informações do Diário do Nordeste
Por João Paulo Oliveira, da redação da Jovem Pan News Manaus






