Educadora financeira alerta para riscos do uso do cartão e orienta como sair das dívidas no início do ano

Entrevista no Jornal da Manhã, da Jovem Pan News Manaus, abordou organização financeira, renegociação de débitos e planejamento para evitar o acúmulo de dívidas
Foto: Haliandro Furtado/ Jovem Pan News Manaus

O início do ano costuma ser marcado por aumento de despesas para muitas famílias, com a chegada de impostos, compra de material escolar, contas acumuladas e dívidas herdadas do ano anterior. O tema foi discutido no Jornal da Manhã, da Jovem Pan News Manaus, em entrevista com a educadora financeira, head trainer, escritora e palestrante Roberta Veras Antonio.

Durante a conversa, a especialista explicou que o problema não começa apenas com os gastos de janeiro, mas com a falta de organização ao longo de todo o ano anterior.

Culturalmente, nós não estamos acostumados a tratar o dinheiro com respeito. A gente entra quase no final do ano, novembro e dezembro, que são datas com muitas festas e comemorações, e vem o acumulado do ano inteiro. Quando você não é organizado financeiramente, tudo isso se acumula e você já entra um ano de uma maneira desorganizada”, afirmou.

Segundo Roberta, o cartão de crédito é frequentemente usado como se fosse renda. “Cartão de crédito não é dinheiro, é um meio de pagamento”, destacou.

Para ela, o problema está no comportamento de quem utiliza o recurso sem planejamento. “O cartão de crédito não é vilão. Ele é um meio de pagamento. Mas a pessoa que utiliza tem que ser educada financeiramente. Se não for, ele vira um problema muito grande”, disse.

A educadora citou dados sobre o endividamento no Amazonas. “A população do estado do Amazonas, de Manaus, tem mais de um milhão de pessoas endividadas. E, infelizmente, o cartão de crédito é o ranking número um”, afirmou. Ela também mencionou que, em levantamento recente, “52% das mulheres estão endividadas contra 48% dos homens”.

Para quem já começa o ano no vermelho, Roberta explicou que o primeiro passo não é apenas organizar números. “Eu costumo dizer que não é organizando números, é você realmente tomar consciência dessa sua situação”, afirmou. Segundo ela, apenas anotar gastos ou renegociar dívidas sem mudar o comportamento tende a gerar novos ciclos de endividamento. “Isso vai resolver? Vai, temporariamente. Mas com certeza você vai ficar nos altos e baixos do endividamento”, completou.

Feirões de renegociação podem ajudar, mas exigem disciplina

Sobre o uso do cartão de crédito, a especialista reforçou que o problema surge quando a fatura não é incluída no orçamento do mês seguinte. “Quando a gente usa ele como dinheiro, achando que não tem a obrigatoriedade de pagar aquela conta, ou simplesmente utiliza ele sem incluí-lo no orçamento do próximo mês, aí você vira realmente uma bola de neve”, explicou.

Questionada sobre o que fazer em caso de dívida no cartão, Roberta foi direta: “Não é interessante você pagar o mínimo de cartão de crédito. Se você chegou numa fase de endividamento, você precisa congelar aquela dívida e tentar renegociá-la o mais rápido possível”. Ela acrescentou que, nesse processo, é necessário deixar de usar o cartão. “Você precisa fazer o dever de casa: olhar qual é a parcela que cabe no teu orçamento”, disse.

A educadora também alertou que muitas pessoas aceitam propostas de parcelamento sem avaliar se os valores cabem no orçamento. “A pessoa se submete ao valor que o banco oferece e não diz: isso não cabe no meu orçamento”, afirmou. Para ela, a chance de sucesso é maior quando o consumidor define previamente quanto pode pagar.

Sobre feirões de renegociação, como os promovidos por instituições financeiras e órgãos de proteção ao crédito, Roberta avaliou que podem ser uma oportunidade. “Ter um feirão como uma oportunidade é excelente, porque você consegue livrar muitos juros, muitas multas e, principalmente, limpar seu nome”, disse. No entanto, alertou: “A questão é quem parcela continuar honrando o compromisso. Muita gente renegocia e depois esquece de pagar o boleto e volta para o endividamento”.

No encerramento da entrevista, Roberta deixou uma mensagem aos ouvintes. “Viva a sua essência. Seja protagonista da sua vida de forma real e sustentável”, afirmou. Segundo ela, isso significa viver de acordo com a própria renda. “Você tem que entender seu padrão de vida e viver o que você ganha. Se não tiver sustentabilidade, você vai ter sempre os altos e baixos do endividamento”, concluiu.

 

 

Por Haliandro Furtado — Redação da Jovem Pan News Manaus