De interino para exercício, de tampão para definitivo: O que a eleição indireta pode revelar.

Coluna Dinâmica da Política, Jackson Nascimento

A surpreendente reviravolta política que o estado do Amazonas sofreu continua gerando desdobramentos significativos nos poderes regionais.

Desde a renúncia inédita de Wilson Lima e Tadeu de Souza (governador e vice-governador), nos últimos instantes do prazo final de desincompatibilização, assistimos, de forma praticamente impotente, aos deputados estaduais elegerem quem deve governar nos próximos meses — ou até o próximo mandato, considerando que o chamado “governador tampão” terá caminho livre para disputar a eleição de outubro, já no cargo e com a máquina administrativa em mãos. Tudo indica que esse mandato tampão será ocupado pelo deputado estadual, atual governador interino e ex-presidente da Aleam, Roberto Cidade.

A aprovação do projeto de lei que rege a eleição indireta para o governo do estado já foi votada e confirmada, com o pleito marcado para o dia 4 de maio, no modelo de voto aberto, estratégia adotada para evitar surpresas no resultado. Até o momento, três nomes anunciaram candidatura: Roberto Cidade, considerado o candidato natural; o ex-deputado Eron Bezerra; e o presidente do Democracia Cristã (DC). O colégio eleitoral é composto pelos 24 deputados estaduais, sendo que grande parte dos parlamentares já demonstrou sua preferência.

Diante desse cenário, com o resultado da eleição indireta apontando o deputado Roberto Cidade como provável eleito, a corrida eleitoral ao governo ganha um novo “player”, o que tende a acirrar ainda mais a disputa, ampliando para quatro o número de candidatos de maior expressão na corrida pelo comando do Palácio da Compensa.

Até pouco tempo, acreditava-se que o cenário estava praticamente definido para a disputa ao governo do estado, ledo engano. A dinâmica política segue aquecida na terra de Ajuricaba, marcada por articulações intensas, composições desfeitas, desistências estratégicas e recuos diante de pesquisas internas que apontam novos rumos, outras versões e diferentes percepções. É o sentimento do caboclo ribeirinho que, agora conectado, observa em sua tela os movimentos políticos daqueles que antes estavam distantes, mas que hoje decidem os rumos do estado a partir da capital.

Da redação da Jovem Pan News Manaus- Coluna Dinâmica da Política, por Jackson Nascimento