Espanha demite embaixadora em Israel em meio a crise diplomática entre os dois países

Decisão foi oficializada por decreto do governo espanhol após meses de tensão diplomática envolvendo o reconhecimento do Estado palestino
Foto: Reprodução/Governo da Espanha

O governo da Espanha demitiu a embaixadora do país em Israel, Ana Sálomon. A decisão foi oficializada por meio de decreto publicado no Boletín Oficial del Estado, documento que reúne os atos formais da administração pública espanhola.

A diplomata ocupava o cargo desde julho de 2021. A saída ocorre em um momento de deterioração das relações entre Madri e o governo israelense, marcado por divergências diplomáticas e trocas de críticas entre autoridades dos dois países.

De acordo com o decreto, a exoneração foi realizada “por proposta do ministro das Relações Exteriores, União Europeia e Cooperação e após deliberação do Conselho de Ministros em reunião realizada no dia 10 de março de 2026”. O procedimento indica que a decisão foi tomada de forma colegiada pelo governo espanhol, após recomendação da chancelaria e aprovação do Conselho de Ministros.

Convocação da embaixadora ocorreu após declarações e tensões diplomáticas

A saída de Sálomon ocorre após um episódio registrado em setembro do ano passado, quando o governo espanhol decidiu convocar a diplomata para consultas em Madri. No protocolo diplomático, a convocação de um embaixador é utilizada quando um país deseja avaliar ou discutir crises nas relações bilaterais.

Na ocasião, o governo espanhol informou que a decisão foi uma resposta a “acusações caluniosas contra a Espanha” e a “medidas inaceitáveis” atribuídas ao governo do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu.

Segundo autoridades espanholas, essas medidas teriam sido direcionadas às ministras Yolanda Díaz e Sira Rego, integrantes do governo espanhol, o que levou a uma reação diplomática por parte de Madri.

Reconhecimento do Estado palestino ampliou crise

A relação entre os dois países passou a enfrentar maior desgaste após a decisão da Espanha de reconhecer oficialmente o Estado palestino. A medida foi criticada pelo governo israelense e provocou reação imediata na esfera diplomática.

Em resposta ao reconhecimento, Israel convocou para consultas sua então embaixadora em Madri, Rodica Radian-Gordon. Esse tipo de medida é considerado um gesto de protesto nas relações internacionais e costuma indicar forte insatisfação entre governos.

Desde então, a representação diplomática israelense na Espanha permanece em nível reduzido.

Israel segue sem embaixador em Madri

O diplomata inicialmente indicado para substituir Rodica Radian-Gordon acabou renunciando para assumir outra missão diplomática no exterior. O governo de Benjamin Netanyahu não nomeou um novo embaixador desde então.

Com isso, Israel está há quase dois anos sem embaixador em Madri. Atualmente, a representação diplomática é conduzida pela diplomata Dana Erlich, que ocupa o cargo de encarregada de negócios — função normalmente exercida quando não há um embaixador formalmente designado.

Durante esse período, o Ministério das Relações Exteriores de Israel também convocou diversas vezes a embaixadora espanhola para prestar esclarecimentos e registrar protestos formais contra declarações e posicionamentos de autoridades da Espanha, incluindo manifestações públicas do primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez.

A sucessão de convocações diplomáticas e trocas de críticas entre governos tem mantido as relações entre os dois países em um dos momentos mais sensíveis dos últimos anos.


Com informações do O Globo*

Por Haliandro Furtado, da redação da Jovem Pan News Manaus