Ao menos dois estudantes de Pernambuco alcançaram a pontuação máxima na redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2025. Caio Silva Braga, de 18 anos, e Wellington Ribeiro, de 19, moradores do Recife, relataram as rotinas de estudo e a surpresa ao conferir o resultado divulgado nesta sexta-feira (16).
O tema da redação em 2025 foi “Perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira”. Para os dois candidatos, o assunto permitiu diferentes abordagens.
“Gostei bastante do tema, me senti bem feliz com a ideia que tive na hora. Sempre parei bastante para pensar antes de escrever as minhas redações. Gostei dos textos de apoio, acho que entendi bem a ideia deles”, afirmou Caio.
Wellington avaliou que o tema foi mais simples de trabalhar do que os de edições recentes.
“Fiquei muito tranquilo. Primeiro, pela preparação, pelo esforço que tive. Quando eu olhei, de cara, já realmente gostei. Não foi um tema que me trouxe medo. Acho que até é comentado por profissionais da área que foi um tema tranquilo em comparação aos outros anos”, disse.
Apesar do mesmo resultado, os dois seguiram caminhos diferentes. Caio, que já cursa o terceiro período de Ciência da Computação na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), não tinha o Enem como objetivo principal em 2025. Ele orienta estudantes nas áreas de matemática e linguagens e ministra uma disciplina eletiva na escola onde estudou. Segundo ele, não seguiu cronograma de estudos no último ano e fez a prova para manter contato com o exame e dar visibilidade ao próprio trabalho.
“Acho que faz parte da experiência do professor entrar em contato com a prova. Eu não estudei nesse ano. A única redação que fiz foi a do Enem, não fiz nenhuma outra. Orientei e corrigi outras redações na minha mentoria, mas eu não tinha feito nenhuma redação”, comentou.

Com o ensino médio concluído em 2024 e já na universidade, Caio diz que a ausência da pressão por uma vaga facilitou a concentração. Ele defende uma rotina equilibrada.
“Nunca me privei de nada. Eu digo para todo mundo que saí todos ou quase todos os fins de semana do meu terceiro ano. Sempre fui de jogar bola, do time do colégio, de fazer academia… Nunca me privei de namorar, sair com meus amigos, de ter tempo de lazer. Sempre prezei por ter pelo menos uma hora de lazer no meu dia”, afirmou.
Sobre a redação, disse que organizou o texto por perspectivas. “Muita gente espera um tema que venha com desafios, muito do que é ‘engessado’ de ser praticado na redação. […] Eu coloquei em cada parágrafo uma perspectiva diferente acerca do envelhecimento do Brasil. No primeiro parágrafo, coloquei uma perspectiva dos povos originários e indígenas. Segundo parágrafo, uma perspectiva histórica. No terceiro, uma perspectiva atual, mais detalhada na abordagem”, explicou.
Wellington, que concluiu o ensino médio em 2024 e pretende cursar direito, dedicou 2025 aos estudos, com aulas presenciais e online e foco em redação.
“Foi um processo. Eu entrei no presencial, inicialmente, e depois fui para o online. Sempre me dediquei muito ao processo. A redação é um aprendizado, você erra e acerta, erra e acerta. Então, conseguir isso é com esforço e dedicação”, disse.

Ele destacou a atenção à gramática como decisiva. “Todo o conhecimento, principalmente gramatical, é uma coisa que fez muita diferença na nota. A questão gramatical, que a pessoa só pode errar duas vezes, tira muito ponto em cima dos alunos. Acho que o meu forte foi esse, a questão gramatical e a argumentação”, afirmou.
Na redação, citou a Lei dos Sexagenários e o conto “Feliz Aniversário”, de Clarice Lispector. “Eu abordei uma visão histórica e depois trouxe uma visão mais crítica ao governo mesmo. Citei a Lei dos Sexagenários e o poema Feliz Aniversário de Clarice Lispector, que fala exatamente sobre essa questão da exclusão dos idosos”, relatou.
Além da redação, Wellington manteve uma rotina semanal de simulados. Ao ver o resultado, disse que não conseguiu dormir.
“Eu abri [a nota] logo assim que saiu, tipo uns 10 minutos depois. Não consegui dormir. Estou bastante nervoso, porque é uma coisa que não acontece qualquer dia. Significa muito para mim, porque eu treinei muito para isso”, contou.
Com informações do G1*
Por Haliandro Furtado — Redação da Jovem Pan News Manaus*





