Um estudo liderado pela Universidade de Leeds, em parceria com pesquisadores da Universidade do Estado do Amazonas, estimou que a chuva gerada pelas florestas da Amazônia brasileira movimenta cerca de US$ 20 bilhões por ano (aproximadamente R$ 103,7 bilhões) para a agricultura regional.
A pesquisa buscou mensurar economicamente o papel da floresta na formação de precipitações. Segundo os autores, cada hectare de floresta tropical gera cerca de 2,4 milhões de litros de chuva por ano. Em média, cada metro quadrado de floresta produz aproximadamente 240 litros de chuva por ano na paisagem mais ampla — índice que chega a 300 litros na Bacia Amazônica. Os resultados foram publicados na revista científica Communications Earth & Environment.
Para chegar aos dados, os pesquisadores combinaram observações de satélite com simulações de modelos climáticos de última geração e aplicaram uma metodologia de valoração econômica simplificada para estimar o impacto da chuva na economia. De acordo com a autora do estudo, Jessica Baker, o levantamento ocorre em um momento de avanço do desmatamento tropical.
“Demonstrar os benefícios financeiros que as florestas tropicais proporcionam pode fortalecer os argumentos em favor da proteção florestal”, afirmou.
O estudo aponta que culturas agrícolas dependem diretamente da umidade gerada por áreas florestais muitas vezes maiores do que as próprias plantações. O algodão, por exemplo, necessita de 607 litros de umidade por metro quadrado — volume equivalente ao produzido por dois metros quadrados de floresta intacta. Já a soja demanda 501 litros por metro quadrado, o equivalente a 1,7 metro quadrado de floresta preservada.
Os pesquisadores também estimam que o desmatamento acumulado nas últimas décadas — cerca de 80 milhões de hectares na Amazônia — pode ter reduzido em quase US$ 5 bilhões por ano os benefícios associados à geração de chuvas. A perda afeta não apenas a produção agrícola, mas também a geração de energia hidrelétrica e a segurança hídrica.
Segundo o estudo, aproximadamente 85% da agricultura brasileira depende de chuva. A redução das precipitações e o atraso das estações chuvosas já impactaram culturas como soja e milho, especialmente em áreas com maior taxa de desmatamento.
Para os autores, reconhecer o papel econômico da floresta na regulação do clima pode contribuir para reduzir conflitos entre produção agrícola e conservação ambiental, ao evidenciar a interdependência entre os dois setores.
Com Informações da Universidade do Estado do Amazonas
Por João Paulo Oliveira, da redação da Jovem Pan News Manaus






