Estudos sugerem que autismo pode representar próxima etapa da evolução humana

Pesquisas em genética e neurociência apontam que características do Transtorno do Espectro Autista (TEA) podem ter vantagens adaptativas e estar aumentando na população

Novas análises científicas indicam que o Transtorno do Espectro Autista (TEA), tradicionalmente visto como uma condição de dificuldade social e comunicativa, pode ser parte de um padrão evolutivo humano. Pesquisas recentes em genética de populações e neurociência sugerem que traços autísticos, como alta sistematização e reconhecimento de padrões, poderiam oferecer vantagens cognitivas e ser mantidos ou até amplificados pela seleção natural.

Evolução de neurônios e genes

Um estudo publicado na Molecular Biology and Evolution por Starr e Fraser, da Universidade de Stanford, analisou neurônios excitatórios do neocórtex humano, essenciais para a cognição complexa. Os pesquisadores observaram que esses neurônios evoluíram rapidamente na linhagem humana, coincidindo com a redução na expressão de genes protetores do neurodesenvolvimento, cuja baixa atividade aumenta o risco de TEA. Isso sugere que as pressões evolutivas que aprimoraram nossa inteligência também podem ter levado a um aumento de traços autísticos, destaca o estudo.

Aumento de diagnósticos e hipóteses genéticas

Dados do Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA (CDC) indicam que 1 em cada 36 crianças nos Estados Unidos é diagnosticada com TEA. Parte do crescimento se deve a mudanças nos critérios e maior conscientização, mas especialistas discutem se fatores genéticos e sociais, como o acasalamento assortativo, também contribuem.

O psicólogo britânico Simon Baron-Cohen sugere que a união de indivíduos com habilidades sistematizadoras em polos acadêmicos e tecnológicos poderia aumentar a frequência de genes ligados a altas capacidades cognitivas, elevando a probabilidade de manifestação do autismo.

Neurodivergência e futuro social

Apesar de traços autísticos se associarem a habilidades excepcionais, o aumento da prevalência do TEA levanta questões sociais. Como seria uma sociedade em que o funcionamento cerebral hoje considerado típico se tornasse minoritário?

Especialistas defendem que o reconhecimento da neurodiversidade deve ir além da produtividade ou genialidade. A inclusão e a dignidade de todos os indivíduos são apontadas como critérios essenciais para uma sociedade evoluída.

O autismo pode ser um componente crescente da evolução humana. Para isso, sistemas educacionais e sociais precisam se adaptar, garantindo inclusão e valorizando diferentes tipos de mentes, sem priorizar apenas aqueles considerados “produtivos” ou “geniais”.

O debate sobre o TEA agora envolve não apenas a ciência médica, mas também questões éticas, educacionais e sociais, reforçando a importância da diversidade cognitiva para o futuro da humanidade.

 

 

 

Com informações do Portal Terra
Fotos: Reprodução
Por Ismael Oliveira – Redação Jovem Pan News Manaus