Exclusiva: Automedicação e uso irregular de remédios podem colocar saúde da população em risco no Amazonas

A conselheira Luana Santana explica os perigos da automedicação, a importância do acompanhamento farmacêutico e os cuidados com medicamentos genéricos e hospitalares.

O uso de medicamentos sem prescrição médica ou orientação farmacêutica continua sendo um dos principais riscos à saúde da população no Amazonas. O alerta foi feito pela conselheira regional do Conselho Regional de Farmácia do Amazonas (CRF-AM), Luana Santana, durante entrevista ao Programa Minuto a Minuto, apresentado pelo jornalista Caubi Cerquinho, na Jovem Pan News Manaus, ao comentar o crescimento da automedicação, o uso indiscriminado de remédios e a popularização de produtos irregulares, como as chamadas canetas emagrecedoras.

Segundo a conselheira, o Brasil está entre os países com maior índice de automedicação, prática que pode trazer consequências graves.

A automedicação é um risco muito grande, porque a pessoa pode mascarar sintomas de doenças mais sérias, além de provocar reações adversas, intoxicações e até levar à morte”, afirmou Luana Santana.

Fiscalização e papel do farmacêutico

Atualmente, o Amazonas conta com cerca de cinco mil farmacêuticos em atividade. A legislação federal determina que farmácias e drogarias devem manter um farmacêutico responsável presente durante todo o horário de funcionamento.

Luana explicou que os conselhos profissionais têm papel fundamental na fiscalização do exercício da profissão e na orientação à população.

Todo tema relacionado à área da saúde envolve os conselhos profissionais, porque somos responsáveis por fiscalizar a atuação e garantir que ela ocorra dentro da legislação”, destacou.

De acordo com a conselheira, o Amazonas conta atualmente com cerca de cinco mil farmacêuticos em atividade, e a presença desse profissional é obrigatória em farmácias e drogarias durante todo o horário de funcionamento.

Esses estabelecimentos são considerados unidades de saúde, e o farmacêutico é o profissional mais acessível à população no dia a dia”, ressaltou.

Riscos, grupos vulneráveis e medicamentos irregulares

A conselheira chamou atenção para os riscos ainda maiores em grupos vulneráveis, como crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças crônicas.

Uma dose segura para um adulto pode ser extremamente perigosa para uma criança. É preciso muito cuidado”, alertou.

Sobre medicamentos sem registro, como produtos importados ilegalmente, Luana foi enfática:

São medicamentos que não passaram pelas exigências da Anvisa, não têm garantia de qualidade, segurança ou eficácia, e representam um sério risco à saúde”.

Ela reforçou que o farmacêutico é essencial para orientar sobre uso correto, interações medicamentosas e armazenamento adequado.

Procure o seu farmacêutico. Ele é o profissional capacitado para acompanhar o tratamento, orientar doses, horários e evitar riscos desnecessários”, concluiu.

Medicamentos irregulares e canetas emagrecedoras

Ao comentar a recente proibição da Anvisa sobre as chamadas “canetas emagrecedoras do Paraguai”, Luana reforçou que medicamentos sem registro representam alto risco à saúde.

São produtos que não passaram pelas exigências sanitárias, não têm garantia de qualidade e podem causar reações graves. A população precisa entender que isso não é uma questão de estética, mas de saúde”, enfatizou.

Ela explicou ainda que a exigência de receita médica para medicamentos emagrecedores ocorreu após notificações de efeitos adversos.

Esses medicamentos passam por um período de farmacovigilância. Quando surgem riscos, a Anvisa intervém para proteger a população”, afirmou.

Automedicação, antibióticos e resistência bacteriana

Outro ponto destacado foi o uso inadequado de antibióticos, que contribui para a resistência bacteriana. “Muitas pessoas usam antibiótico sem necessidade, achando que qualquer dor de garganta exige esse tipo de medicamento. Isso gera um problema grave de saúde pública no futuro”, alertou.

A conselheira reforçou que medicamentos possuem doses terapêuticas muito próximas das doses tóxicas. “Um pequeno aumento na dose pode causar intoxicação e internação”, disse.

Crianças, idosos e orientação profissional

Luana Santana chamou atenção especial para o uso de medicamentos em crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças crônicas.

Esses grupos são mais vulneráveis. Uma dose inadequada pode causar danos sérios. Por isso, sempre orientamos: procure o farmacêutico para revisar a medicação e tirar dúvidas”, afirmou.

Segundo ela, o farmacêutico é o profissional mais indicado para orientar sobre interações medicamentosas, horários corretos, armazenamento e uso seguro.

A população precisa criar o hábito de procurar o farmacêutico de confiança. Ele é essencial para o cuidado contínuo e para evitar riscos desnecessários”, concluiu.

A recomendação das autoridades de saúde é clara: medicamentos só devem ser utilizados com prescrição ou orientação profissional, adquiridos em estabelecimentos regulares, garantindo segurança, eficácia e proteção à saúde da população.

Por Ismael Oliveira
Redação Jovem Pan News Manaus