O aumento da procura por canetas injetáveis para emagrecimento tem acendido um alerta entre profissionais de saúde e órgãos de vigilância. De uso controlado, esses medicamentos são indicados para o tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2 e só podem ser adquiridos com prescrição médica e retenção da receita no momento da compra. Em entrevista exclusiva ao programa Minuto a Minuto, apresentado pelo jornalista Caubi Cerquinho, na Jovem Pan News Manaus, o médico especialista em emagrecimento, Luka Ferreira falou sobre os riscos do uso inadequado de canetas injetáveis para emagrecimento e reforçou a importância do acompanhamento profissional no tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2.
A orientação segue normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que reforçam que as canetas não devem ser utilizadas sem acompanhamento profissional. O uso inadequado pode provocar efeitos adversos como hipoglicemia, pancreatite, náuseas, vômitos e alterações gastrointestinais.
Tratamento vai além da aplicação da caneta
Segundo o médico Luka Ferreira, o erro mais comum é acreditar que apenas a aplicação do medicamento resolve o problema do excesso de peso.
“O tratamento de emagrecimento não é uma coisa simples. A pessoa não engordou em uma semana, nem em 30 dias. Normalmente, é um processo crônico, e o emagrecimento também precisa ser”, explica.
O médico reforça que o uso das canetas deve fazer parte de um acompanhamento completo, com avaliações frequentes e atuação de diferentes profissionais.
“Tudo isso tem que ser acompanhado de forma correta, realizando exames, pesando o paciente, avaliando a composição corporal, com acompanhamento de nutricionista, médico e, em alguns casos, personal. O ideal é que se faça tudo isso para conseguir o resultado ideal”, destaca.
Indicação médica e riscos do uso inadequado
Luka Ferreira alerta que as canetas não são indicadas para fins estéticos ou para quem deseja perder poucos quilos em curto prazo.
“Não é uma medicação para perder dois quilos para ir à praia. Ela é indicada para o tratamento da obesidade e do diabetes, e deve ser usada apenas quando há indicação correta”, afirma.
Ele também chama atenção para um risco pouco discutido: a perda de massa muscular quando o medicamento é utilizado sem orientação adequada.
“Se a pessoa só utiliza a medicação, sem acompanhamento, pode perder não só gordura, mas também massa muscular, que é fundamental para a saúde. Além disso, pode faltar proteína, vitaminas e nutrientes importantes”, pontua.
Mercado aquecido e risco de medicamentos irregulares
Com a alta demanda, cresce também a circulação de produtos falsificados ou vendidos de forma ilegal. O médico faz um alerta direto sobre preços muito abaixo do mercado.
“A primeira coisa que a gente precisa entender é que existe a caneta original e existem os manipulados. Uma caneta original, hoje, custa em torno de R$ 1.800 a R$ 2.000 por mês. Quando aparece algo muito mais barato, é preciso desconfiar”, alerta.
Segundo ele, há casos de medicamentos contrabandeados que perdem a eficácia devido ao transporte inadequado.
“Essas canetas precisam de controle rigoroso de temperatura. Quando são transportadas de forma irregular, dentro de bolsas ou até no corpo, o líquido pode ser contaminado e o efeito comprometido”, explica.
Emagrecimento, recaída e acompanhamento contínuo
Estudos mostram que a interrupção do uso das canetas pode levar à recuperação rápida do peso perdido, especialmente quando não há mudança de hábitos. Para Luka Ferreira, isso reforça a necessidade de um tratamento contínuo e consciente.
“Tudo que vem rápido, vai embora rápido. Se a pessoa não muda comportamento alimentar, rotina e estilo de vida, a chance de recuperar o peso é muito grande”, afirma.
Ele destaca que as canetas representam um avanço importante no tratamento da obesidade, mas não substituem o cuidado integral com a saúde.
“Hoje nós temos medicamentos muito mais eficazes do que no passado, mas eles precisam ser usados com responsabilidade. A caneta ajuda, mas não faz milagre sozinha”, conclui.
Por Ismael Oliveira – Redação Jovem Pan News Manaus






