Em um cenário em que empreender ainda é um desafio para milhares de brasileiros, histórias reais de superação ganham força como inspiração. Em Manaus, um desses exemplos é o do influenciador digital amazonense Luiz Tanak, conhecido como Gatuxa, que transformou dificuldades financeiras em um negócio próprio usando humor regional, presença digital e apenas R$ 150 como ponto de partida.

Em entrevista exclusiva ao programa Minuto a Minuto, da Jovem Pan News Manaus, apresentado pelo jornalista Calbi Cerquinho, Luiz Tanak contou como a necessidade o levou a empreender, falou sobre os desafios do início, o papel da internet no crescimento do negócio e como sua história tem inspirado outros amazonenses a acreditarem no empreendedorismo como alternativa real de mudança de vida.
Hoje, Luiz soma centenas de milhares de seguidores nas redes sociais, com vídeos irreverentes, linguagem típica do Norte e conselhos diretos para quem sonha em empreender. Além do sucesso digital, ele também é dono do restaurante ‘O Tempero da Gatucha’, que nasceu de forma simples e cresceu junto com sua audiência.
Eu falo que o brasileiro já nasce com espírito empreendedor. A gente empreende porque precisa. E comigo não foi diferente”, conta Luiz.
Começo simples, necessidade real
A virada na vida de Luiz não começou com investidores, cursos caros ou estrutura profissional. Começou com necessidade. Ele conta que, há poucos meses, mal conseguia sobrar dinheiro para um passeio em família aos domingos.
Eu percebi que estava errado. Eu trabalhava, mas não dava pra viver com o que eu ganhava. Foi aí que eu decidi investir, mesmo sem ter quase nada”, relembra.
Sem planejamento elaborado ou estrutura profissional, Luiz decidiu começar com exatamente o que tinha à disposição. O valor disponível era mínimo, mas suficiente para dar o primeiro passo e testar a ideia na prática.
Eu comecei com 150 reais, que era o que eu tinha na minha conta. Comprei quatro frangos, um quilo de farinha, um quilo de arroz, feijão, fiz um maião e botei os frangos pra assar no mesmo dia. Vendi tudo. Eu fazia as coisas no fogão da minha mãe, numa calçada que nem era minha, não tinha ponto fixo. Era o que dava pra fazer naquele momento”, relata.
Do improviso ao lucro
O negócio começou a gerar resultados no mesmo dia. Todos os frangos foram vendidos, mas o lucro teve destino imediato: suprir necessidades da família. Luiz manteve disciplina financeira e reinvestiu cada valor para ampliar a produção.
O gás da minha mãe acabou no mesmo dia. O lucro foi pra comprar o gás dela. Mas eu voltei no outro dia e investi de novo”, relembra com humor.
O capital inicial de R$ 150 virou R$ 300 e depois R$ 600. O ciclo era simples: vender, guardar e reinvestir.
Se eu gastasse o dinheiro, ia continuar do mesmo jeito. Então eu economizava até na janta para poder investir mais no negócio”, afirma.
A força da internet
Enquanto estruturava o negócio físico, Luiz já produzia conteúdo digital desde 2020, comentando sobre transporte público, comportamento e problemas urbanos, sempre com humor e sotaque manauara. A internet se tornou uma aliada estratégica quando ele começou a registrar a rotina do restaurante.
Eu comecei na internet porque queria me comunicar. Foi na pandemia que eu encontrei esse espaço”, explica.
O alcance digital logo se traduziu em vendas reais. Em um dos primeiros dias filmando, Luiz se surpreendeu com a reação do público:
Eu cheguei seis da manhã e já tinha gente na porta pedindo. Gravei revoltado. O vídeo viralizou. Em um dia ganhei mais de 10 mil seguidores”, lembra.
O engajamento online ajudou a consolidar a clientela do restaurante, que passou a ser conhecido também pelo público digital.
O nascimento da “Gatuxa”
O nome Gatuxa surgiu de maneira espontânea. Inicialmente sem marca definida, Luiz percebeu que os clientes chamavam o restaurante assim e adotou como identidade oficial. O jeito descontraído, com bordões regionais, ajudou a criar personalidade própria para o negócio.
Hoje, Luiz reúne cerca de 500 mil seguidores entre perfis pessoais e do restaurante.
Dificuldades, erros e aprendizado
Apesar do crescimento rápido, o caminho não foi livre de obstáculos. Luiz destaca a importância de aprender com erros, principalmente relacionados à equipe e ao gerenciamento financeiro.
Meu maior erro no começo foi com pessoas. Contratar gente que não acreditava no negócio atrasou muito meu crescimento”, afirma.
Quando começa a sobrar, a gente fica abestado. Mas eu entendi que precisava investir mais, crescer o espaço, melhorar a estrutura”, complementa.
Um negócio que funciona sozinho
Hoje, o restaurante opera em ponto fixo, com equipe e serviços de almoço e jantar, enquanto Luiz divide o tempo entre gestão e produção de conteúdo digital.
Eu montei uma empresa, não uma prisão. Hoje eu posso estar aqui conversando com vocês e o restaurante está funcionando”, comemora.
Mesmo com estabilidade, ele ressalta que ainda há espaço para crescimento.
Graças a Deus estou muito melhor do que quando comecei, mas ainda não cheguei onde eu quero. E isso é bom, porque motiva”, afirma.
Conselho para novos empreendedores
Para Luiz, o segredo é começar, independentemente do tamanho do investimento inicial.
Só comece. Eu comecei com 150 reais porque era o que eu tinha. Se eu fosse esperar tudo estar pronto, nunca teria começado”, diz.
Quem quer empreender não arranja desculpa. Levanta, reage, toma um banho e vai atrás”, completa.
A história de Luiz Tanak, o Gatuxa, mostra que empreendedorismo não é apenas questão de recursos financeiros, mas de coragem, criatividade e persistência. Com passos pequenos, é possível transformar pouco em muito e inspirar outras pessoas a seguirem o mesmo caminho.
Por Ismael Oliveira
Redação Jovem Pan News Manaus






