Exclusiva: “Ecobarreiras” transformam igarapés de Manaus e tornam Amazônia referência ambiental

O ambientalista e criador do projeto Amazon Ecobarreira, Mazinho da Carbrás, destacou que a iniciativa protege os igarapés de Manaus urbanos e contribui para a redução da poluição dos rios.

Em meio aos desafios ambientais enfrentados pelas grandes cidades amazônicas, Manaus vem se consolidando como referência em soluções sustentáveis e inovadoras para a preservação dos seus igarapés. Um dos exemplos mais emblemáticos é a Amazon Ecobarreira, tecnologia criada pelo ambientalista Mazinho da Carbrás, que tem mudado a realidade dos cursos d’água urbanos da capital e agora será replicada em Belém (PA), cidade-sede da COP 30.

A experiência foi detalhada em entrevista ao programa Minuto a Minuto, da Jovem Pan News Manaus, apresentado pelo jornalista Calbi Cerquinho, onde Mazinho contou a trajetória do projeto, os impactos ambientais e sociais das ecobarreiras e a expansão da iniciativa para outras capitais amazônicas.

Tecnologia simples, impacto real

As ecobarreiras são estruturas flutuantes instaladas em pontos estratégicos dos rios e igarapés urbanos. Desenvolvidas com material resistente, como alumínio náutico, elas acompanham o nível da água e funcionam como barreiras de contenção, impedindo que grandes volumes de resíduos sólidos avancem para rios maiores, como o Rio Negro, e posteriormente para o oceano.

É um equipamento simples, que flutua, acompanha o nível da água e permite a retirada do lixo sem que o trabalhador precise entrar no igarapé”, explicou Mazinho durante a entrevista.

Os resíduos retidos, como garrafas PET, latas de alumínio, eletroeletrônicos e outros materiais descartados irregularmente — são recolhidos e encaminhados para cooperativas de reciclagem, onde passam por triagem. Parte do material retorna à cadeia produtiva, gerando renda extra para catadores, enquanto o restante recebe destinação ambientalmente adequada.

Com o apoio da tecnologia de rastreabilidade desenvolvida pela Trashin, todo o material coletado é catalogado por tipo e volume, garantindo transparência e dados precisos sobre o impacto da ação.

De iniciativa comunitária a política pública

A história da ecobarreira começa muito antes da tecnologia ganhar reconhecimento institucional. Segundo Mazinho, a motivação surgiu há cerca de 20 anos, a partir da degradação da Lagoa do Parque São Pedro, na antiga área da Carbrás, onde resíduos domésticos e esgoto passaram a ser despejados de forma irregular.

Eu conheci aquela lagoa quando ela era preservada. Quando vi no que ela tinha se transformado, senti um chamado para agir”, relembrou.

Sem equipamentos e sem experiência técnica, Mazinho iniciou um trabalho manual de retirada de lixo e conscientização dos moradores. Com o tempo, percebeu que limpar não era suficiente: era preciso impedir que o lixo chegasse ao igarapé.

Eu limpava hoje, mas bastava uma chuva para o lixo voltar. Foi aí que senti a necessidade de criar uma estratégia para parar o lixo antes que ele seguisse correnteza abaixo”, contou.

Após diversas tentativas e testes, nasceu a ecobarreira, que passou a contar com o apoio da Secretaria Municipal de Limpeza Urbana (Semulsp). Atualmente, Manaus já conta com 12 ecobarreiras instaladas, com a 13ª prevista para o igarapé do 40.

Benefícios ambientais e sociais

Além de reter resíduos, as ecobarreiras ajudam a evitar o entupimento de bueiros, um dos principais fatores de alagamento em comunidades próximas a igarapés urbanos.

O lixo é o grande vilão. Ele entope os bueiros, faz a água subir e alaga as áreas mais baixas. A ecobarreira evita que isso aconteça”, explicou Mazinho.

De acordo com dados da Semulsp, as ecobarreiras chegam a reter cerca de 300 toneladas de lixo por semana, especialmente durante o período de chuvas intensas, reduzindo significativamente a poluição hídrica e melhorando a qualidade de vida da população ribeirinha.

Reconhecimento e expansão para Belém

O sucesso da iniciativa em Manaus chamou a atenção de outras cidades amazônicas. Em Belém (PA), o projeto foi apresentado pelo próprio Mazinho à equipe técnica da prefeitura. Após reunião com a secretária executiva de Inclusão Produtiva, Pamela Maksoud, o prefeito Igor Normando confirmou a instalação de 15 ecobarreiras em igarapés urbanos da capital paraense.

A medida visa impedir que resíduos cheguem à Baía do Guajará e, posteriormente, ao oceano Atlântico, fortalecendo a imagem da cidade às vésperas da COP 30.

O secretário da Semulsp, Sabá Reis, destacou o pioneirismo de Manaus.

O prefeito David Almeida acreditou no projeto desde o início. Hoje, o que nasceu aqui inspira Belém e mostra que a Amazônia não é apenas palco de debates, mas também de soluções ambientais replicáveis para o mundo”, afirmou.

Educação ambiental como pilar

Para Mazinho, o sucesso das ecobarreiras vai além da tecnologia. O projeto também promove educação ambiental e cidadania, aproximando comunidades da responsabilidade coletiva com os igarapés.

Mesmo que a gente não consiga despoluir totalmente os igarapés agora, se a população parar de jogar lixo de forma irregular, já é um passo enorme. Um igarapé sem lixo já é uma grande vitória”, ressaltou.

Com a expansão da iniciativa e o reconhecimento nacional e internacional, a Amazon Ecobarreira reforça o protagonismo da Amazônia como território de inovação ambiental, mostrando que soluções simples, acessíveis e eficazes podem transformar realidades e inspirar o mundo.

Por Ismael Oliveira
Redação Jovem Pan News Manaus