Exclusiva: Falta de planejamento financeiro ainda é um dos principais riscos econômicos para famílias e empresas em 2026

Fernando Fernandes, CEO da F12 destaca que início do ano é decisivo para organização financeira, formação de patrimônio e tomada de decisões mais segura.

O início do ano é considerado um período estratégico para organizar as finanças, rever hábitos e definir metas econômicas. No entanto, a falta de planejamento financeiro ainda representa um dos principais riscos para famílias e empresas brasileiras em 2026. O alerta foi feito pelo contador e consultor empresarial Fernando Fernandes, CEO da empresa F12, durante entrevista ao Programa Minuto a Minuto, apresentado pelo jornalista Caubi Cerquinho, na Jovem Pan News Manaus.

Segundo o especialista, decisões financeiras tomadas sem diagnóstico, orientação profissional ou acompanhamento adequado podem comprometer todo o orçamento ao longo do ano.

Planejamento financeiro é como qualquer outro planejamento: se você não sabe onde está, não tem como saber para onde vai. Sem orçamento e sem controle, a pessoa fica refém do dinheiro”, afirmou Fernando.

Educação financeira ainda é falha no Brasil

De acordo com o CEO da F12, a dificuldade de organização financeira começa muito antes da renda e está ligada à ausência de educação financeira na formação das pessoas.

Nós não aprendemos educação financeira na escola. Crescemos ouvindo que dinheiro gera problema, discussão, conflito. Isso cria crenças que afastam as pessoas do planejamento”, explicou.

Para Fernando, o início do ano simboliza o começo de um novo ciclo, momento ideal para quebrar padrões e rever comportamentos.

Nunca é tarde para começar, mas o início do ano tem um peso diferente. É quando as pessoas estão mais abertas a mudar e a se organizar”, destacou.

DIcas importantes para o orçamento 

Fernando deu uma dica importante, o planejamento. E ainda acrescentou que o erro mais comum é tentar poupar ou investir sem antes organizar o orçamento mensal.

Um bom planejamento começa pelo orçamento. Ele cria previsibilidade. Você precisa saber quanto ganha, quanto gasta e onde pode ajustar”, disse.

Segundo ele, gastos recorrentes e pouco percebidos, como alimentação fora de casa, são grandes vilões do orçamento.

O brasileiro gasta muito comendo fora. Quando coloca tudo no papel, se assusta com o valor que vai embora sem perceber”, afirmou.

 

Além de planejar, a disciplina e o acompanhamento constante é essencial para manter o equilíbrio financeiro.

Planejar sem acompanhar não funciona. Se você estourou em um mês, precisa compensar no outro. Isso é disciplina financeira”, ressaltou.

O especialista destacou que poupar não depende apenas do valor do salário, mas de hábito.

A maioria das pessoas consegue poupar, nem que seja um pouco. Começa com 2%, depois 5%. O importante é criar o hábito”, pontuou.

Poupança, investimentos e perfil do investidor

Embora a poupança ainda seja muito utilizada, Fernando lembra que existem alternativas mais eficientes dentro da renda fixa.

Hoje existem investimentos que rendem mais que a poupança, com risco muito baixo. Mas tudo começa pelo perfil do investidor. Isso é determinante”, explicou.

Ele defende a diversificação como estratégia de proteção.

Não se coloca todos os ovos na mesma cesta. Cada pessoa precisa entender seu perfil e distribuir os recursos de forma inteligente”, afirmou.

O novo papel do contador na economia

Fernando destacou que a tecnologia e as mudanças na legislação transformaram a atuação do contador, que passou a exercer um papel mais consultivo.

O contador deixou de ser apenas operacional. Hoje ele ajuda o empresário a entender custo, tributação, precificação e decisão estratégica”, disse.

Segundo ele, micro e pequenas empresas — que movimentam a economia brasileira — dependem cada vez mais desse suporte.

O empresário quer entender o negócio, e o contador precisa saber explicar. Esse é o novo perfil da profissão”, completou.

Formação de patrimônio e visão de longo prazo

Ao falar sobre renda extra, bônus ou sobras no orçamento, Fernando reforçou a importância da formação de patrimônio.

Renda paga conta. Patrimônio gera longevidade. Tudo que sobra precisa ajudar a construir ativos que tragam retorno no futuro”, afirmou.

Para ele, a organização financeira é um processo contínuo.

Planejamento financeiro não é algo que você faz uma vez por ano. É um exercício constante, que traz segurança e tranquilidade ao longo do tempo”, concluiu.

 

Por Ismael Oliveira
Redação Jovem Pan News Manaus