A abertura do calendário cultural de 2026 em Manaus ganha um significado especial com a exposição “Les Gens du Nord”, do fotógrafo internacional Jacques Menassa. Em entrevista exclusiva ao programa Minuto a Minuto, apresentado pelo jornalista Caubi Cerquinho, o artista falou sobre sua relação afetiva com a Amazônia, sua trajetória entre o Líbano, Europa e Brasil, e o olhar humanista que marca a mostra inaugurada no Museu da Cidade de Manaus.
Logo no início da conversa, Menassa destacou o vínculo emocional que mantém com a capital amazonense. Ao comentar sobre o retorno à cidade, resumiu a experiência de forma simbólica: “Com certeza. O calor humano é um calor natural”, disse, reforçando que a relação com Manaus vai muito além do clima.
Uma história entre o Líbano e o Brasil
Jacques Menassa contou que sua ligação com o Brasil remonta ao século XIX, quando seu avô paterno imigrou para a Amazônia. Ele próprio veio pela primeira vez em 1984 para conhecer a família e acabou morando oito anos no país.
“Eu vim a primeira vez no Brasil, em 1984, para conhecer a família do meu tio. Meu avô veio em 1885. Um dos primeiros imigrantes. O único que voltou para o Líbano foi meu avô”, relatou.
Essa vivência pessoal ajudou a moldar sua sensibilidade artística e sua identificação com o povo amazônico, que se tornou o eixo central da nova exposição.
Fotografia por amor e vocação
Formado em política e administração, Menassa explicou que a fotografia sempre esteve presente em sua vida, desde a infância, quando observava imagens em revistas de arte. O caminho profissional, no entanto, foi sendo construído aos poucos, com estudos em Paris e no Líbano.
“A fotografia, na verdade, eu desde pequeno, desde criança, gostava das fotos. Quando voltei ao Líbano, fiz um curso de fotografia. Eu faço isso por amor”, afirmou.
Em Manaus, ele também deixou sua contribuição como educador, ministrando oficinas fotográficas e compartilhando sua experiência com artistas locais.
Uma homenagem ao povo do Norte
Segundo Jacques, “Les Gens du Nord” é, acima de tudo, um gesto de gratidão. A mostra reúne fotografias em preto e branco feitas ao longo de anos, retratando indígenas, ribeirinhos, famílias e cenas cotidianas da Amazônia.
“Isso é uma homenagem ao povo do Norte do Brasil, mais da Amazônia. Eu tenho um carinho muito grande por essas pessoas, que são um povo amado, gentil e hospitaleiro”, destacou.
O fotógrafo explicou que a escolha pelo preto e branco não é estética apenas, mas conceitual:
O preto e branco mostra as formas, as expressões naturais. Ele revela mais a alma da pessoa”.
Amazônia, identidade e importância global
Durante a entrevista, Menassa também ressaltou a relevância da Amazônia para o mundo e a força simbólica de retratar seus povos originários.
A Amazônia é a região mais importante do mundo inteiro. Ela é o pulmão do mundo, tem um povo maravilhoso e uma riqueza que todo mundo quer conhecer”, afirmou.
Para ele, cada retrato carrega não apenas beleza, mas identidade, resistência e dignidade — elementos que transformam a fotografia em memória viva.
Exposição como convite ao encontro
Com apoio da Prefeitura de Manaus e da ManausCult, a exposição fica em cartaz por cerca de dois meses e meio, consolidando o Museu da Cidade de Manaus como espaço de diálogo entre arte, história e cidadania.
Ao final da entrevista, Jacques resumiu o espírito da mostra:
É um jeito de carinho para essa região que eu amo. Essas fotos são um agradecimento ao povo maravilhoso do Norte”.
A exposição “Les Gens du Nord”, convida o público a enxergar a Amazônia a partir de quem a vive com sensibilidade, respeito e humanidade.
Por Ismael Oliveira – Redação Jovem Pan News Manaus






