A publicidade brasileira passa por um momento de profunda transformação, impulsionada pela digitalização acelerada, pela valorização de marcas com propósito e pela busca por narrativas mais autênticas. Nesse novo cenário, regiões historicamente afastadas dos grandes centros decisórios começam a ganhar protagonismo e a Amazônia surge como um território estratégico não apenas pela sua relevância ambiental, mas também pelo potencial criativo, técnico e intelectual de seus profissionais.
Essa visão foi detalhada pela CEO da theWhite, Luana Coelho, em entrevista exclusiva ao programa Minuto a Minuto, da Jovem Pan News Manaus, apresentado pelo jornalista Caubi Cerquinho, onde ela analisou os desafios de manter uma agência competitiva na região Norte, o impacto do marketing digital no pós-pandemia e a importância do branding como pilar estratégico para negócios que buscam longevidade.
Hoje não existe mais a discussão se o marketing digital deve ou não ser usado. Ele já está incorporado ao nosso dia a dia. A questão é como usar com estratégia e propósito”, afirmou.
Criatividade com raiz, estratégia com visão de futuro
A theWhite se apresenta como uma agência ON e OFF, atuando de forma integrada em publicidade criativa, identidade de marcas e marketing de experiência. Em um mercado cada vez mais saturado por soluções genéricas, a agência aposta no caminho oposto: criatividade raiz, sustentada por método, estratégia e propósito.
Para a CEO, publicidade não pode ser tratada como uma ação isolada.
Publicidade não é só fazer uma peça bonita. É entender o negócio do cliente, onde ele quer chegar, para quem ele quer falar e qual percepção de valor ele precisa construir.”
Nesse modelo, não há espaço para mesmice. Um produto ou serviço relevante exige uma comunicação à altura — capaz de gerar conexão real, engajamento e valor de marca. Seja no ambiente digital ou nos meios tradicionais, a theWhite defende que a publicidade precisa ser pensada como ferramenta estratégica de negócio, e não apenas como execução criativa.
Como os rios amazônicos, a theWhite flui. E, ao fluir, transforma obstáculos em oportunidades.
Liderança feminina e visão estratégica
À frente da agência está Luana Coelho, CEO da theWhite, uma das vozes mais respeitadas do mercado publicitário da região Norte. Com mais de 16 anos de trajetória, Luana construiu uma liderança marcada por visão estratégica, inquietação criativa e profundo compromisso com o desenvolvimento profissional da Amazônia.
Durante entrevista a CEO foi direta ao falar sobre os desafios de empreender no mercado publicitário local:
Ou você se conforma com o discurso de que aqui é só fábrica, ou você busca soluções. A theWhite nasceu dessa inquietação: provar que existe, sim, inteligência, talento e capacidade estratégica na Amazônia.”
Antes de fundar a agência, Luana atuou como consultora tributária em uma das maiores empresas de auditoria do mundo, atendendo marcas globais. A pergunta que a acompanhava era simples e incômoda:
por que grandes empresas instaladas na região não contratavam profissionais locais para pensar sua comunicação?
Por que grandes empresas instaladas na região não contratavam profissionais locais para pensar sua comunicação?
Eu me perguntava por que essas marcas buscavam soluções fora, se aqui também havia gente extremamente competente. Em algum momento, eu percebi que reclamar não resolveria. Então resolvi criar.”
A resposta veio em forma de ação.
Amazonidade sem caricatura
Um dos pilares conceituais da theWhite é a defesa de uma amazonidade verdadeira, distante de estereótipos ou apropriações superficiais. Para a agência, não basta usar a floresta como cenário: é preciso compreender o território, as pessoas e suas complexidades.
“O amazonense não gosta de caricatura. Ele gosta de respeito. Gosta de narrativas verdadeiras, que façam sentido com a realidade dele”, destacou Luana.
Essa visão se materializa em cases emblemáticos. Entre eles, a campanha desenvolvida para a Brahma, que marcou época ao criar, pela primeira vez, duas latas distintas, respeitando a dualidade cultural local.
“Não fazia sentido falar de pertencimento com uma única lata. A cultura local é dual. Quando a marca entendeu isso, a campanha passou a se conectar de verdade.”
Outro exemplo é o trabalho realizado para o Bradesco, em ações de marketing de experiência que conectaram o branding da marca com a Amazônia de forma orgânica, sem exageros ou caricaturas.
“A marca do Bradesco é uma árvore. Quando a gente percebeu essa similaridade, ficou claro que a narrativa precisava ser construída com respeito, não com clichê.”
Mais recentemente, o case do Botânica Office, primeiro prédio biofílico da região Norte, exigiu uma leitura sensível do público local. Em vez de falar diretamente sobre biofilia, a agência optou por uma abordagem mais estratégica.
“Ao invés de falar de verde, falamos de futuro. Porque, no fundo, todo futuro precisa ser verde.”
O mercado publicitário do Norte em transformação
Dados recentes confirmam aquilo que profissionais da área já percebem na prática: o mercado digital cresce em todas as regiões do país — inclusive no Norte, historicamente à margem dos grandes investimentos publicitários.
Segundo estudos do CENP e de entidades do setor, os investimentos em publicidade digital na região Norte cresceram mais de 30% em um único ano. Ainda que represente uma fatia menor do bolo nacional, o crescimento é significativo e revela uma mudança estrutural de comportamento.
Para Luana Coelho, o desafio agora é outro:
O excesso de intimidade no mercado local ainda compromete o profissionalismo. Relações pessoais não podem substituir critérios técnicos. Isso enfraquece o ecossistema como um todo.”
Ela defende que o fortalecimento do mercado passa por estratégia, governança, indicadores de resultado e branding bem estruturado.
Branding: onde a publicidade encontra o negócio
Na visão da theWhite, marketing, publicidade e branding não são sinônimos são etapas complementares de uma mesma engrenagem.
O marketing define onde o negócio quer chegar.
A publicidade torna essa estratégia pública.
O branding sustenta tudo isso ao longo do tempo.
Toda marca ganha dinheiro de duas formas: pelo que vende e pela percepção de valor que constrói.”
É por isso que a agência defende a presença do branding nas decisões estratégicas das empresas, lado a lado com a alta gestão. Comunicação, nesse contexto, não é custo é ativo.
Um recado para quem quer empreender na publicidade
Ao final da entrevista, Luana deixou um conselho direto para quem sonha em abrir uma agência de publicidade na região Norte:
“Estudem estratégia. Estudem branding. Não tenham medo dessa palavra. Branding não para nunca — ele acompanha o comportamento das pessoas.”
Para ela, negócios longevos não se sustentam em ciclos rápidos ou modismos passageiros, mas em constância, consistência e propósito.
“O que muda é o comportamento. O que não pode mudar é a coerência da marca.”
Por Ismael Oliveira
Redação Jovem Pan News Manaus






